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BRAZIL: Munduruku celebrate suspended construction of hydro dams in Tapajós River region

Saturday, July 6th, 2013
Munduruku (Foto © Rebecca Sommer)

Munduruku (Foto © Rebecca Sommer)

While the indigenous Munduruku tribe welcomed the government’s decision, they are considering it as nothing more that a partial victory. Pressed by two months of fierce resistance, the Brazilian Government finally suspended the construction of hydro dams in Tapajós River region. The Munduruku People organized together with other groups of NGO’s and indigenous supporters a multitude of actions including two occupations that paralyzed construction of the Belo Monte hydroelectric power plant for a total of 17 days. They also halted the Tapajós study group which intended to carry out unsanctioned studies on rivers Teles Pires and Tapajós, where 13 thousand Munduruku live.  “We will continue in our struggle… We want the studies and works to be cancelled” said spokesperson Paygomuyatpu Munduruku.

“Estamos indignados com o governo brasileiro”

Wednesday, May 1st, 2013


Carta ao governo brasileiro e à sociedade

Nós, lideranças, caciques e guerreiros Munduruku do Alto, Médio e Baixo Tapajós reunidos para reafirmar nossa posição contrária à construção de barragens em nossos rios, e estamos completamente indignados com a falta de respeito do governo brasileiro por não comparecer ao nosso encontro, marcado para hoje, 25 de abril, na aldeia Sai Cinza, município de Jacareacanga, Pará.

Os representantes Tiago Garcia e Nilton Tubino, da Secretaria Geral da Presidência da República, afirmaram aos vereadores Munduruku de Jacareacanga que não viriam à aldeia porque temiam violência da nossa parte, que nós estávamos esperando por eles armados e com gaiolas para prendê-los. O governo está tentando se fazer de vítima, e isso não é verdade. Quem chegou armado na cidade de Jacareacanga foi o governo, com a Polícia Federal e a Força Nacional.

Segundo Nilton, o ministro Gilberto Carvalho desautorizou a delegação a vir a nossa aldeia, e tentou impor uma reunião na cidade de Jacareacanga, sob presença militar. E isso nós não aceitamos. Essa reunião já tinha sido desmarcada uma vez. Ela deveria ter acontecido no dia 10 de abril, mas por causa da Operação Tapajós, nós ficamos com medo de um ataque igual ao que aconteceu na aldeia Teles Pires em novembro do ano passado, quando assassinaram nosso parente Adenilson. Por isso nós não aceitamos que esse encontro acontecesse naquela data.

E agora o governo chega novamente armado com suas tropas para uma reunião com o nosso povo, e inventa todo tipo de mentira, manipulações e distorções sobre nós Munduruku. Nós queremos o diálogo, mas não é possível ter diálogo com armas apontadas nas nossas cabeças. E achamos que talvez o governo não queira dialogar, porque quem quer dialogar não mata indígena, não invade aldeias e nem vem armado com policiais e helicópteros.

Exigimos que o governo pare de tentar nos dividir e manipular, pressionando individualmente nossas lideranças, caciques ou vereadores. Lembramos que quem responde oficialmente pelo nosso povo são as coordenações das associações Munduruku, chamadas Pusuru e Pahyhy, as entidades representativas de todas as comunidades Munduruku. Somos um só povo, todas as nossas decisões são sempre coletivas e nós as expressamos sempre através das associações.

Por fim, reafirmamos que nós povo Munduruku não queremos guerra, queremos paz. E por isso queremos que todas as tropas militares saiam da região. A partir de agora, exigimos que todos encontros e reuniões com governo sejam sempre acompanhados pela procuradoria do Ministério Público Federal do Pará. Queremos que nossa posição sobre a barragem seja respeitada, e que o governo regulamente a consulta prévia aos povos indígenas como manda a Convenção 169 da OIT, tudo isso antes de qualquer decisão, estudo ou construção de barragem.

Também exigimos que nossos direitos constitucionais sejam garantidos, sem que sejam usados como moeda de troca. E reafirmamos: somos contra as barragens e queremos todos os nossos rios livres. E nós vamos lutar por eles.

Aldeia Sai Cinza, 25 de abril de 2013.

Assinam este documento caciques, lideranças, guerreiros e povo Munduruku.

Brasil: Carta da Assembleia Extraordinária do povo Munduruku para a presidenta da República

Tuesday, February 5th, 2013

Carta da Assembleia Extraordinária do povo Munduruku para a presidenta da República

Munduruku  (Foto @ Rebecca Sommer)

Munduruku (Foto @ Rebecca Sommer)

O povo Munduruku do médio e alto rio Tapajós com a participação de representantes dos povos- Kayabi, Apiaká e Kayapó; o coordenador Coiab; representantes de entidades de apoio a causa indígena; representante da Secretaria da Presidência da República, coordenadores e técnicos e da presidência da Funai- discutiram no dia 31 de janeiro, de 2013 como ponto principal da Assembleia Extraordinária, a invasão e violência cometida pela Polícia Federal na Aldeia Teles Pires, no dia 7 de novembro, de 2012.

Ato que resultou no assassinato do nosso parente indígena. Outro assunto que também pautamos é a agressão aos nossos direitos pelos projetos do Governo Federal na construção de hidrelétricas nos rios Teles Pires e Tapajós, onde ficam nossas terras tradicionais.

A invasão da Polícia Federal na chamada Operação Eldorado foi denunciada mais uma vez na Assembleia como brutal desrespeito aos direitos humanos e aos direitos indígenas, devido a humilhação e ameaças feitas para idosos, mulheres, crianças e caciques, que resultou como crime maior, o assassinato de um parente Munduruku que fugia dos tiros, mas acabou sendo executado com balas nas duas pernas e outra na cabeça pelo próprio delegado que comandava a operação assassina.

Não satisfeitos a Polícia Federal ainda atirou 13 bombas na beira do rio para que o corpo desaparecesse e ficaram durante todo o dia amedrontando a comunidade, depois do ato truculento de invasão das casas, atiraram contra as paredes da escola e do posto de saúde. Juntaram crianças, velhos e mulheres durante horas debaixo do sol. Após a ação a Polícia Federal passou a divulgar na imprensa que foi atacada e só reagiu com balas de borracha, pois os Munduruku estavam armados .

A Funai no dia 5 de dezembro assinou um documento  alegando que a polícia não agiu com excesso, mas como medida de defesa, o que o órgão pretendeu foi passar para a população brasileira a imagem de que os índios foram culpados, mais uma vez a ideia que o povo indígena é um bando de selvagem. Tudo não passa de mentiras, por que o nosso povo não tinha armas de fogo e tentou convencer o delegado para não usar a força mostrando documentos que a comunidade já havia discutido com a Funai e autoridades federais,  com entendimentos para solução do problema do garimpo.

Os dois indígenas baleados foram levados pela Polícia Federal para a cidade de Alta Floresta, quando chegaram lá foram surpreendidos pela Polícia Federal que cercou toda a área do aeroporto, a fim de que nenhuma imprensa filmasse e divulgasse o que eles cometeram. Temos informação que até tentativa de abuso sexual aconteceu conforme o relato de Gersiane Bõrõ Munduruku, irmã do Edivaldo Bõrõ que estava baleado e foi levado para a cidade de Alta Floresta. Ela foi acompanhar o irmão e mandaram-no, deixando a indígena no porto da Fazenda Brascam, lá a Polícia Federal mencionou que iam estuprá-la.

Embora outro integrante da Força Nacional tivesse afirmado que não podiam fazer isso com a índia, o agente da Polícia Federal falou que ele ia estuprá-la e posteriormente jogar seu corpo para jacaré comer, mas felizmente a ameaça não foi concretizada.

Senhora Presidenta! Tudo isso já foi denunciado para as autoridades do Ministério da Justiça e do Ministério Público Federal, e com certeza a senhora foi informada desse crime. Mas o pouco caso e desrespeito continuam. Após dois dias do ocorrido fomos para Brasília denunciar ao Ministério da Justiça e esperávamos sermos recebidos pelo ministro, e pela presidenta da Funai, mas nenhuma das autoridades estavam presentes.

Há anos que apresentamos ao Governo propostas alternativas de auto-sustentação para o nosso povo a partir do nosso costume com uso dos recursos da floresta, como óleo de babaçu e castanha. Os anos foram passando e nada foi resolvido, agora como resposta tivemos o ataque assassino na nossa comunidade.  A ação da Polícia Federal foi feita contra um povo que luta contra as hidrelétricas, na tentativa de  nos ameaçar e amedrontar. Se o Governo Federal não tem dinheiro para apoiar os projetos dos povos indígenas, como possui milhões para realizar uma operação de violência contra nossa aldeia?

Os parentes Munduruku, Kayabi e Kayapó presentes na Assembleia falaram dos projetos do Governo de construção hidrelétricas nos rios Teles Pires e Tapajós, que  passam por cima da Constituição Federal ameaçando destruir a natureza, nossos lugares sagrados e a base de nossa cultura e existência. Não somos contra o desenvolvimento do país, mas não aceitamos ter nossa vida destruída em nome de um tipo de progresso que só irá beneficiar os grandes empresários que ficarão cada vez mais ricos. Os povos indígenas deram seu sangue e contribuíram durante séculos com seu trabalho, suas vidas e suas riquezas para o desenvolvimento da nação brasileira.

As empresas de construção de hidrelétricas fazem promessas de compensação com muitos objetos e muito dinheiro, esquecendo que nossa visão de mundo é diferente dos não-índios que a grande maioria só pensam no lucro e na ganância. Não temos interesse nessas promessas de riqueza, para nós povos indígenas o patrimônio principal da riqueza é o futuro de nossas crianças e do nosso povo. O Governo Federal quebrou a pernas e braços da Funai, pois essa ficou parada e não tem mais força para defender os direitos indígenas. Mas, nós, Munduruku não temos medo e vamos continuar resistindo contra os projetos de hidrelétricas que ameaçam a nossa vida.

As prioridades do Governo não passam pela demarcação das terras indígenas, nossos parentes Munduruku do médio rio Tapajós e os parentes de outros povos do Baixo tapajós há muitos anos esperam pela demarcação de suas terras que são durante todo tempo invadidas por fazendeiros e madeireiros.  Se o governo pode investir milhões nas grandes hidrelétricas, como não tem dinheiro para priorizar os direitos dos povos indígenas?  É só olhar a situação da saúde, da educação, da fiscalização das terras, das atividades produtivas, e de nosso patrimônio cultural.

Essa carta é uma tradução e resumo das falas dos parentes durante as discussões da manhã do dia 31 de janeiro, onde apresentamos para Vossa Excelência as seguintes reivindicações, futuro dos anseios e angústias do Povo Munduruku:

01. A apuração imediata do caso do assassinato do índio Munduruku,  Adenilson Kirixi, com o indiciamento e a punição do delegado da Policia Federal que comandou a operação Eldorado;

02 . Abertura de inquérito para uma apuração rigorosa do caso da violência acometida contra a vida e os direitos da comunidade Munduruku pela Polícia Federal, na Aldeia Teles Pires;

03. A imediata indenização pelos bens perdidos na invasão da Polícia Federal (balsas, casas, motores, barcos, etc…), assim como moral da família do Adenilson Kirixi e da comunidade Munduruku, da Aldeia Teles Pires;

04.  A reconstrução imediata da Aldeia Teles Pires, do Povo Munduruku;

05.  Fim dos estudos das hidrelétricas na Bacia do Tapajós e Teles Pires;

06. Revogação imediata da Portaria 303 da AGU;

07. A paralisação imediata da PEC 215;

08. Paralisação do projeto de Lei 1610.

09. A retomada imediata de estudo e aprovação do Novo Estatuto dos Povos Indígenas;

10. A aceleração no processo de demarcação das Terras Indígenas Munduruku da região do Médio Tapajós;

11. A implantação imediata e viável de um Programa de Vigilância, Monitoramento e Proteção dos territórios Munduruku, Sai Cinza e Kayabi;

12. A implantação imediata e viável de Projetos de Sustentabilidade para o Povo Munduruku, como casa de farinha, piscicultura, artesanato e outros projetos de produção de alimentos e geração de renda;

13. A garantia de recursos do PAR Indígena para a continuidade das etapas do Curso Ibaorebu, via a Funai;

14. Apoio do MEC para a regularização das escolas indígenas Munduruku, com a construção de currículos próprios e projetos políticos e pedagógicos específicos ao Povo Munduruku, reconhecidos pelo Governo Municipal, Estadual e Federal;

15. Agilizar a imediata construção das Escolas Indígenas nas Aldeias Sai Cinza e Missão Cururu, do Povo Munduruku, cujo os recursos federais estão na SEDUC, do Governo do Estado do Pará;

16. A construção de um Centro de Formação Munduruku, na Terra Indígena Munduruku;

17. A implantação pelo MEC de um curso de nível superior intercultural e específico por áreas de necessidades e interesses do povo Munduruku;

18. A garantia de recursos para apoiar os estudantes do ensino superior;

19. A garantia de recursos para a realização de um Projeto de Formação Tradicional, como musica e flautas;

20. Garantir recursos federais para a realização de cursos profissionalizantes nas áreas de saneamento, laboratório, técnico de enfermagem e saúde bucal com o objetivo de melhorar o atendimento à saúde do Povo Munduruku;

21. A imediata liberação de recursos para a construção dos postos de saúde, com os projetos já aprovados;

22. Agilidade nos processos de aquisição de medicamentos e equipamentos médico hospitalares para os Postos de Saúde e CASAI´s de Jacareacanga, Itaituba e Novo Progresso, do DSEI Tapajós;

23. Liberação de recursos para a implantação de uma Casa de Apoio à Saúde Indígena na cidade de Santarém para as etnias Munduruku e  Kayapó;

24. Aquisição de meios de transporte (barcos, microônibus, caminhões, ambulâncias, etc…) com estruturas para atender aos pacientes e aos profissionais de saúde que trabalham na região;

25. A homologação das pistas de pouso nas Aldeias Sai Cinza, Katõ, Kaburuá, Rio das Tropas, Waro a pompõ, Teles Pires, Posto de Vigilância, Waritodi;

26. Criação do projeto intercultural superior.

27. Construção de pista de pouso aldeias polos santa Maria no rio cururu, Restinga rio Tapajós.

28. Punição dos servidores da FUNAI que estavam presentes na operação, Paulo e Moacir.

29. Homologação da T.I Kayaby.

30. Prioridade urgente do governo Federal para os estudos e condições que garantam a proteção e sobrevivência dos índios isolados da bacia do Tapajós, Teles Pires e Juruena.

31. Reforma urgente do prédio da FUNAI em Itaituba garantindo condições de trabalho e atendimento de acordo com as necessidades e direitos do povo indígena.

32. Que a Secretaria da Presidência da República cumpra o compromisso de audiência com 20 representantes Munduruku em Brasília na primeira quinzena de março assumido durante a Assembleia, quando deverão ser apresentadas as respostas as nossas reivindicações.

33. Reiteramos que estas são as nossas reivindicações sobre os nossos direitos e não os negociamos e, nada disso trará de volta também a vida do nosso irmão Adenilson Krixi. Não irão intimidar-nos ou amedrontar-nos com ameaças e ações violentas, pois a nossa decisão é continuar defendendo até o ultimo guerreiro Munduruku, o nosso Rio, Tapajós e Teles Pires, pois estes são a nossa vida.

Aldeia Sai Cinza, Pará, 31 de Janeiro de 2013.

Munduruku-Häuptling berichtigt Farce um REDD-Vertrag mit Celestial Green Ventures

Thursday, April 19th, 2012

Ein Bericht von Rebecca Sommer
(Übersetzung von ASW)

Die Nachricht löste rund um die Welt eine Welle von Schlagzeilen aus: Angeblich hatte das im Bundesstaat Pará in Brasilien lebende indigene Volk der Munduruku einen REDD-Vertrag mit Celestial Green Ventures geschlossen. Aber es war kein gemeinschaftlicher Vertragsabschluss seitens der Munduruku, zu denen heute 13.000 Menschen zählen. Dies fand ich während meines zweieinhalb-monatigen Aufenthalts in Pará anlässlich von Nachforschungen zum Großprojekt Belo Monte heraus.

Ich sprach mit meinem Kollegen Marquinho Mota von der brasilianischen Nichtregierungsorganisation FAOR, der dort für Menschenrechte und Klimagerechtigkeit zuständig

Munduruku (Foto © Rebecca Sommer)

Munduruku (Foto © Rebecca Sommer)

ist. Er berichtete mir, dass die Munduruku sehr verstört seien über die Nachricht, dass ein Vertrag unterschrieben worden sei. Interessanterweise fand ich zum gleichen Zeitpunkt drei weitere von Indigenen aus der Region Altamira unterzeichnete REDD-Verträge vor, allesamt abgeschlossen mit dem Kriminellen Benedito Milenio Junior. Benedito unterschrieb nicht im Auftrag seines Unternehmens, sondern als Einzelperson ohne jegliche Berechtigung durch die Firma, die er gegenüber den indigenen Führern zu vertreten vorgab.

Mehrheit der Munduruku gegen Vertrag

Alles habe damit begonnen, so berichtet ein indigener Führer aus einem der 120 Munduruku-Dörfer, dass Vertreter der Celestial Green Ventures mit einem REDD-Projekt auf sie zukamen. Das war bei einem Treffen im Gemeindehaus von Jacareacanga im August 2011. Häuptling Osmarino Mohoari Munduruku sagt weiter, dass Gemeinderäte und Vertreter der Indigenenbehörde FUNAI anwesend waren. Die meisten Munduruku waren gegen das Konzept des Projekts, und deshalb entschieden sie, den Vertrag abzulehnen. Osmarino Mohoari Munduruku erinnert sich, dass die Munduruku-Krieger die Vertreter des Unternehmens beinahe tätlich angegriffen hätten. Celestial Green Ventures informierte alle Anwesenden, dass zwei andere Völker ähnliche Abkommen unterzeichnet hätten.

Munduruku (Foto © Rebecca Sommer)

Munduruku (Foto © Rebecca Sommer)

Was als nächstes passierte ist die traurige Realität so vieler REDD-Projektverträge, die von Indigenen abgeschlossen wurden, die nicht die legitimierten Vertreter des Volkes sind, das sie vorgeben zu repräsentieren. Osmarino Mohoari Munduruku berichtet, dass nach dem REDD-Treffen 12 Personen, darunter Munduruku ohne jegliche Vertretungsberechtigung, nicht-indigene Berater und Vertreter des Gemeinderats, eine geschlossene und geheime Sitzung in einem Hotel abhielten, wo der Vertrag unterschrieben wurde. „Die Häuptlinge waren gegen den von dem Unternehmen vorgeschlagenen Kohlenstoffzertifikatshandels, aber einige indigene und nicht-indigene Vertreter des Gemeinderats haben unterzeichnet“, erklärt Osmarino Mohoari. „Wir wussten nichts davon. Wir erfuhren von dem unterschriebenen Vertrag durch das Internet.“

„Der Vertrag war kompletter Wahnsinn, wir konnten es nicht glauben als wir ihn schließlich zu lesen bekamen“, sagt Marquinho Mota von FAOR. „Der Vertrag, der von ein paar Einzelpersonen und Regierungsvertretern ohne die vorherige Unterrichtung und freiwillige Zustimmung der Munduruku unterzeichnet wurde, erlaubt dem Unternehmen Celestial Green Ventures die vollkommen ungehinderte und unbegrenzte Nutzung des indigenen Landes für eine Dauer von 30 Jahren.“

In einem Interview mit dem Menschenrechtsinstitut Unisinos benennt Osmarino Mohoari Munduruku die Konsequenzen für seine Gemeinschaft: „Meiner Meinung nach ist dieses REDD-Projekt schlecht, weil es uns für die nächsten 30 Jahre verbietet zu jagen, zu sammeln, zu pflanzen oder zu fischen oder Holz zu schlagen, wenn wir es brauchen.“ Das Unternehmen Celestial Green Ventures bot den Munduruku 120 Mio. Dollar für das REDD-Projekt. Unklar ist, ob Zahlungen erfolgten und wenn ja, an wen sie gemacht wurden. Laut Osmarino wird vermutet, dass die indigene Organisation Pusuru (Associação Indígena Pusuru) die Zahlungen erhalten soll. Ob das allerdings schon geschehen ist, darüber wurden die Munduruku-Häuptlinge nicht informiert.

Geschäfte zwischen alten Freunden

Auf der Webseite von REDD-Monitor, die die Autorin dieses Artikels wärmstens empfiehlt, schreibt der Journalist Chris Lang, dass Celestial Green Ventures im Juni 2011 eine Million unzertifizierte und freiwillige CO2-Verschmutzungsrechte (Carbon credits) an die in London ansässige Firma Industry RE verkauft hat. Doch die Verbindung zwischen diesen beiden Unternehmen besteht laut Informationen der Webseite von Industry RE bereits seit 2009: „ 2009 haben sich Industry RE und Celestial Green für ihr erstes REDD-Projekt zusammengeschlossen. Dazu gehörte der Kauf von Anteilen (97%) der brasilianischen Firma Capital First Management Bank Ltda., der 10.000 Hektar tropischen Regenwalds im brasilianischen Bundesstaat Rondônia gehören. CFMB gehörte auch eine Bergbaulizenz für die Goldsuche auf 4.300 Hektar dieses Landes. Durch den Kauf dieses Waldgebiets hat Celestial Green die Goldschürflizenz verfallen lassen und wird das Gebiet durch den Verkauf von CO2-Verschmutzungsrechten im Rahmen der REDD-Bestimmungen schützen.“

Die Munduruku haben unterdessen beschlossen, den REDD-Vertrag, der auf so fragwürdige Weise zustandekam, zu annulieren. „Sollte bereits Geld geflossen sein, dann wollen wir, dass es an das Unternehmen zurückgeht“, sagte Osmarino Mohoari Munduruku. 
Angesichts der in vielen Ländern vorkommenden korrupten und illegalen Machenschaften im Zusammenhang mit Vertragsunterzeichnungen seitens Indigener haben die Munduruku sogar noch Glück. Brasiliens Behörde für die Belange Indigener Völker, FUNAI, verkündete kürzlich, dass mehr als 30 solcher zwischen Indigenen und Unternehmen geschlossenen Verträge illegal und nichtig seien.

Ein Komitee der Munduruku hat beschlossen, der brasilianischen Regierung einen Bericht zu übergeben, der die Umstände dieser jüngsten Manipulation und Ausbeutung eines indigenen Volkes erläutert.

Auszüge des REDD-Vertrages, dessen Annullierung die Munduruku anstreben, sind auf Englisch von Earth Peoples veröffentlicht worden. (Munduruku REDD Vertrag in Englisch HIER)
Sie besagen, dass das Unternehmen Celestial Green Ventures für eine Dauer von 30 Jahren zur Durchführung von Analysen und technischer Studien aller Art berechtigt ist sowie den uneingeschränkten Zugang zu dem Gebiet erhält, um CO2-Zertifikate zu ermitteln. Dem Unternehmen werden ferner sämtliche Rechte an den CO2-Zertifikaten, einschließlich der Rechte an den Gewinnen aus der vorhandenen Biodiversität des Gebiets während der Vertragslaufzeit gewährt.

Osmarino Mohoari Munduruku wies darauf hin, dass der Vertrag auch besagt, dass der Besitzer zustimmt keinerlei Aktivitäten zu unternehmen, die den Wert der CO²-Zertifikate verringern könnte. Und dass ohne die Erlaubnis des Unternehmens, beispielsweise keine Gebäude errichtet, Bäume gefällt, Acker bebaut, Dämme angelegt oder Bodenschätze gehoben werden dürfen.

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Was ist REDD?
Der auf der Klimakonferenz in Montreal 2006 beschlossene REDD-Mechanismus (Reduktion von Emissionen aus Entwaldung und Schädigung von Wäldern) sollte einen Weg eröffnen, die weltweite Zerstörung des Waldbestandes, insbesondere der Primärwälder, zu stoppen. Doch viele zivilgesellschaftliche Organisationen stellen das neue Waldschutzinstrument in Frage. Sie befürchten erstens eine Verletzung der Menschenrechte indigener Gemeinschaften und halten eine monetäre Inwertsetzung von Natur für riskant.

Der Mechanismus weist dem im Holz gespeicherten Kohlenstoff einen ökonomischen Wert zu, wodurch ein globales Interesse am Waldschutz geschaffen werden soll. Das REDD-System fungiert als Bindeglied zwischen dem Europäischen Emissionshandel und dem Kyoto-Protokoll: Unternehmen können Reduktionszertifikate von Firmen, z.B. von Celestial Green Ventures erwerben, um ihre Auflagen im EU-Emissionssystem zu erfüllen. Firmen wie Celestial Green Ventures arbeiten als Zwischenhändler: Sie schließen einerseits Waldschutz-Verträge mit der lokalen Bevölkerung und verkaufen andererseits Reduktionszertifikate („Carbon credits“ ) an die Kohlenstoff emittierende Industrie.
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Os indígenas Munduruku e a venda de créditos de carbono. Entrevista especial com Osmarino Manhoari Munduruku

Monday, March 26th, 2012

“Os caciques eram contra a proposta da empresa, mas alguns indígenas e outros vereadores do município assinaram o contrato”, esclarece o cacique Osmarino Manhoari Munduruku.

Lea a entrevista