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Belo Monte, invasores: Comunicado do povo Parakanã

Tuesday, September 17th, 2013

(Earth Peoples: Recebemos o carta original do FAOR que foi transmitida a nós por ASW)
Para ler em Inglês
Para ler a carta original

Desde ontem (12/09), cerca de 100 indigenas Parakanã e Juruna ocupam o sítio Pimental da Usina Hidrelétrica Belo Monte. A ocupação é para exigir o cumprimento das condicionantes indígenas pela Norte Energia: desintrusão das TIs Apiterewa e Paquiçamba e demarcação da Cachoeira Seca. Leia a primeira carta desta ocupação:

Comunicado do povo Parakanã
13/09/2013

Nós cansamos de esperar. O povo Parakanã, da terra indígena Apyterewa, estado do Pará, comunica o governo federal e a Norte Energia que cansamos de esperar vocês resolverem o problema da nossa terra. Apyterewa está invadida por fazendeiros, grileiros, garimpeiros, madeireiros e colonos que durante muito tempo estão destruindo nosso território tradicional, nos impedindo de caçar, de plantar, de cuidar dos nossos filhos e ameaçando o nosso povo.

Durante muito tempo, o governo disse que ia retirar os brancos invasores e devolver nosso território, para o nosso povo viver em paz. O governo quis construir Belo Monte e disse que ia resolver o problema da nossa terra antes de construir a barragem, e colocou como condicionante de licença. Nós acreditamos, mas o governo mentiu. Belo Monte está quase pronta, mas o nosso território tradicional continua invadido pelos brancos. Nós não acreditamos mais no governo, porque o governo não cumpre as suas próprias leis, não cumpre as condicionantes que ele mesmo colocou para a Norte Energia construir Belo Monte.

O governo não está preocupado com o nosso território, não está preocupado com os povos indígenas, não está preocupado com o nosso sofrimento, só está preocupado com Belo Monte. Os Juruna do Paquiçamba, os Arara da Volta Grande e os Arara da Cachoeira Seca estão também sofrendo sem o seu território, e estamos preocupados com os nosso parentes, mas o governo federal não se importa. Nossos direitos estão sendo desrespeitados, mas ninguém toma nenhuma providencia. Por isso, cansamos de esperar a boa vontade do governo federal e nosso povo, homens, velhos, mulheres e crianças, ocupamos o canteiro de obras de Belo Monte.

Ocupamos o canteiro porque essa obra só deveria estar acontecendo se a nossa terra já estivesse livre dos invasores e devolvida para o nosso povo. Porque essa era uma condicionante para construir Belo Monte. Então, se o nosso território ainda não foi resolvido pelo governo federal, Belo Monte tem que parar. E nós vamos parar Belo Monte até o governo federal resolver o problema da nossa terra. Não estamos aqui para pedir nada para a Norte Energia. A Norte Energia também mentiu muito, também está devendo muita coisa para o nosso povo, mas hoje não estamos aqui para conversar, nem nego ciar com a Norte Energia.

Exigimos conversar com representantes do governo federal, com o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, com a ministra da Casa Civil, com o ministro da justiça, com o presidente do Incra, com a presidente da Funai, e cobrar que vocês cumpram a obrigação de vocês e devolvam nosso território tradicional livre dos invasores. Queremos que vocês mandem a policia federal retirar os brancos que estão destruindo nossa terra. Mas, se em vez disso, vocês mandarem a policia para nos tirar do canteiro, nós vamos morrer aqui no canteiro de Belo Monte. Porque sem o nosso território, nós não temos vida.

Altamira, 12 de setembro de 2013.

Índios e ribeirinhos fazem nova ocupação de canteiro de obra de Belo Monte

Thursday, March 21st, 2013

Xingu Vivo Para Sempre

Cerca de 150 pessoas, entre ribeirinhos e indígenas Juruna, Xypaia, Kuruaia e Canela, ocuparam o canteiro de obras de Pimental, um do quatro de Belo Monte, na madrugada desta quinta, 21.
A ação começou as 4 h da manhã com o trancamento da estrada de acesso ao canteiro, mas um veículo, que conseguiu furar o bloqueio, acionou a Força Nacional de Segurança, que se deslocou para o local e tentou impedir a entrada dos manifestantes na área da obra, exigindo que fosse destacado um porta-voz para negociar as reivindicações. Como não houve acordo quanto a esta demanda, o grupo todo resolveu entrar no canteiro e seguiu até os alojamentos, solicitando que os trabalhadores deixassem as instalações.

Segundo representantes dos manifestantes, muitos operários apoiaram a ação e afirmaram que o sistema de trabalho se assemelha ao de uma prisão, mas a confusão é grande porque eles não sabem para onde ir.

O grupo de manifestantes está dividido entre a comunidade do Jericoá oito famílias de índios Xypaia, Kuruaia e Canela), que nunca recebeu nenhum atendimento da Funai e da Norte Energia, índios Juruna da aldeia Muratu, na Terra Indígena Paquiçamba, e ribeirinhos e colonos da comunidade do KM 45. Estes últimos dizem viver uma situação de grande insegurança, uma vez que o Consórcio Norte Energia teria dito a eles que não serão removidos, ao mesmo tempo que afirmaram aos índios Juruna que a terra pertence a eles. O medo é que esta situação crie um conflito entre indígenas e colonos.

Até o momento, as principais reivindicações dos manifestantes se referem às condições da comunidade de Jericoá, que já não consegue mais pescar, recebeu apenas uma parcela das compensações indígenas (a área onde vivem não tem demarcação), não tem água potável (poços artesianos), e seus barcos não suportam o sistema de transposição montado no barramento do Xibgu na altura do Pimental (são muito frágeis e quase ocorreu um grave acidente na última semana). Na última semana, a comunidade procurou a Funai para demandar assistência, mas, de acordo com os manifestantes, foram seguidamente “enrolados” e não obtiveram nenhuma resposta.

Já os colonos do KM 45 querem uma definição sobre a situação fundiária de suas terras, além de energia elétrica, que ainda não chegou às suas casas.

De acordo com os manifestantes, é possível que outros grupos indígenas se juntem aos protestos no decorrer do dia. As obras do canteiro de Pimental estão paralisadas.