Posts Tagged ‘FUNAI’

Open Letter from the Parakanã people (Indigenous Peoples protest at Belo Monte dam construction site – Indigenous land invasion, BRAZIL)

Wednesday, September 18th, 2013

Earth Peoples received the scanned original letter from Brazilian NGO FAOR, which was forwarded to us by German based NGO ASW

(Non-official translation by Earth Peoples)
To read original in Portuguese click here

Since the 12th of September 2013, about 100 indigenous people, from indigenous nations Parakanã and Juruna are occupying the Belo Monte Hydroelectric Dam at the Pimental site. The occupiers demand implementation of the Norte Energia indigenous peoples provisions, (legal conditions that the dam’s consortium Norte Energia must abide to in regards to Indigenous Peoples and their territories affected by the dam): The removal from the invaders of IT (indigenous territory) Apiterewa and Paquiçamba, and the demarcation of (indigenous territory) Cachoeira Seca. Read the announcement of the occupation:

Open Letter from the Parakanã people

We got tired of waiting. The Parakanã people, from the indigenous territory Apyterewa located in the state of Pará, communicate to the federal government and to Norte Energia that we are tired of waiting that you solve the problem of our land. Since a long time, Apyterewa is being invaded by farmers, squatters, miners, loggers and settlers who are destroying our traditional territory, preventing us from hunting, farming, caring for our children and threatening our people.

For a long time we are told by the government that it would remove the white invaders and return our land to us, so that our people can live in peace. The government wanted to build Belo Monte and said it would solve the problem of our land before the construction of the dam, and (placed that promise as ) a condition of the (Belo Monte dam construction) license. We believed it, but the government lied. The Belo Monte dam is almost finalized, but our traditional territory continues to be invaded by whites (non-indigenous). We no longer believe in the government, because the government does not fulfill its own laws, does not comply with the conditions that it had put in place for Norte Energia to build Belo Monte.

The government is not concerned about our territory, is not concerned with indigenous peoples, is not concerned with our suffering, but is only concerned with Belo Monte. The Juruna of Paquiçamba , the Arara of Volta Grande (the Big Bend) and the Arara of Cachoeira Seca are also hurting without their territory, and we worry for our people/relatives, but the federal government does not care. Our rights are being infringed upon, but no one takes any measures to address them. So we, men, Elders, women and children, are tired of waiting for the good will of the federal government and occupy the construction site of the Belo Monte.

We occupy the site because the dam’s construction should only be happening if our land was already free of invaders and returned to our people, which is one of the conditional legal constraints to begin building Belo Monte. So, as long as our issues and problems regarding our territory have not been solved by the federal government, Belo Monte has to stop. And we’ll stop Belo Monte until the federal government will solve the problem of our land. We’re not here to ask for anything from Norte Energia. The Norte Energia “Belo Monte hydroelectric dam ”consortium also lied a lot, and owes a lot to our people as well, but today we’re not here to talk, nor to negotiate with Norte Energia.

We demand to meet and talk with representatives of the federal government, with the Minister of the General Secretariat of the Presidency, the Minister of the Civil office, the minister of justice, the president of Incra, as well as the president of Funai (Buerau of Indian Affairs-Brazil), to demand that you meet your obligations to return our traditional territory free of invaders. We want you to send the federal police to remove the whites’ that are destroying our land. But, if you are instead sending the police to remove us (protesters) from the construction site, we’ll rather die right her at the construction site of Belo Monte.
Because – without our territory, we have no life.

Altamira , September 12, 2013

VIROU MODA NO BRASIL ASSASSINAR LIDERANÇAS INDÍGENAS COM DIA E HORA MARCADA.

Thursday, May 10th, 2012

Fui convidado para acompanhar uma reunião de lideranças guajajara de
todas as TIs do Maranhão e representantes das principais comunidades
indígenas, na Aldeia Coquinho (TI Canabrava), às margens da BR 226
entre os municípios de Grajau e Barra do Corda no dia 11 de abril do
corrente ano. A reunião estava bem representativa com um grande número
de lideranças indígenas; Polícia Federal; Militar e Rodoviária
Federal; Coordenadores Regional e local da FUNAI; Secretária de
Direitos Humanos do Estado do MA; Gestores da Educação e
representantes das prefeituras de Grajaú; Barra do Corda e do Jenipapo
dos Vieiras. O ponto alto das intervenções foi à questão das ameaças
que as lideranças estão sofrendo em função da invasão das TIs por
madereiros, traficantes e outros criminosos. Neste ponto fiz uma fala
em tom áspero e elevado culpando a FUNAI, órgão gestor da assistência
indígena, pelas mortes que estão ocorrendo. As questões relacionadas à
saúde e a educação, em vista da já conhecida situação, prefiro não
tecer considerações. Era flagrante o desespero das lideranças em
relação às ameaças sofridas, sendo, inclusive, mencionado alguns nomes
de lideranças ameaçadas. No final da reunião me arrependi de ter usado
uma forma áspera para me dirigi àquelas autoridades na vã inocência de
que aqueles gestores tomariam medidas imediatas para intervir naquela
situação e impedir uma tragédia. No dia 28 do mesmo mês fui
surpreendido com a notícia de que uma de nossas principais lideranças
a cacique Maria Amélia Guajajara, liderança da Aldeia Coquinho II da
mesma TI Canabrava, teria sido assassinada por dois sujeitos que
utilizavam uma moto. Se não fosse certo acontecer uma tragédia, seria
no mínimo previsível e fiz questão de frisar no meu pedido para que a
FUNAI atuasse no caso pois era de sua atribuição e que aqueles
cidadãos estão na condição de Defensores Públicos de Direitos Humanos
Indígenas e que a ela estão disponíveis os mecanismos para evitar
esses casos de violação dos DHs. Saí daquela reunião certo que no
mesmo dia seriam tomadas as medidas porque idêntica situação acabara
de acontecer com o Pajé Kaiwá Veron que até hoje visito o sitio do
movimento indígena continental para ler a denúncia postada pela
militante Miryan Hes dando conta de que todas as autoridades tinham
conhecimento de que a qualquer momento aconteceria uma tragédia e a
FUNAI nada fez. Tanto no caso da Cacique Guajajara como no caso do
Pajé Kaiwá, que foi assassinado com o maracá na mão, as medidas de
colocar a Força Nacional só aconteceram após o dia e a hora já
anunciados para acontecer a tragédia e o sistema de proteção dos DPDH
nunca foi acionado. Estava esquecendo de dizer que estavam presentes,
também, à reunião, o CIMI e a COAPIMA que o coordenador Regional da
FUNAI fez questão de dizer que estava no cargo graças ao apoio dessas
duas entidades, assim como toda a diretoria do órgão. Então os
diretores ou representantes dessas entidades são tão responsáveis por
essas tragédias quanto os gestores da FUNAI.
Abçs.
Arão da Providência Guajajara
CDH/OABRJ

FUNAI’s clarifications about voluntary market REDD activities on Indigenous Land

Sunday, March 25th, 2012

Download original in portuguesehere

(Non-official translation by Earth Peoples / Povos da Terra)

The FUNAI (governmental Buerau of Indigenous Peoples Affairs, Brazil) reports that more than 30 indigenous ethnicities have been approached by companies and / or individuals to enter REDD initiatives, and to negotiate carbon credits under the voluntary market. Contracts and projects have been presented, but not all of them have been effectively closed (signed).

The indigenous Peoples Surui, of Indigenous Reservation Sete de Setembro, did not sign a contract; they have conducted their project in coordination with us (FUNAI), and accepted the various recommendations as their specific process, including the certifications VCS (Voluntary Carbon Standard) and CCBA (Climate, Community and Biodiversity), receiving Gold. They have been cautious in the process, evaluating the risks and potential of the voluntary market and the signing of contracts in this context. It is expected that the Association of the Surui people present the draft to the Amazon Fund and the FUNAI supports this initiative.

As to the sales contract of carbon credits, to which FUNAI had access to since 1 ½ years, of the indigenous territory of Cinta Larga (Roosevelt, Aripuanã, Park and Aripuanã, Sierra Morena), with 2.7 million hectares, it blocked (immobilized – “privatized”- maybe?) the whole area and was negotiated by only a few individuals of the community, without consent of all the indigenous peoples in question. Since FUNAI knew of the contract, several steps were taken, among them the notification to the responsible company, performing several briefings to the Cinta Larga indigenous peoples, informing the federal prosecutors (MPF) to follow the issue, FUNAI published guidelines on this issue and made an official statement to the Association of the Indigenous Peoples Cinta Larga to clarify the illegality of the contract.

Like the above mentioned case, most of the REDD contracts FUNAI had access to, would have prevented the Indigenous peoples to continue their traditional practices, for example, farming, or to cut trees for their livelihood, without prior permission from the company.

In addition these contracts are long term, exceeding for more than a generation and do not include clauses for the right to determine the contract in case of negative impacts to the indigenous community.

FUNAI that has as its primary mission to defend the rights of indigenous peoples is against these contracts. The FUNAI has informed the Indigenous leaders on the legal invalidity of the contracts, considering that their land belongs to the state, and legal certainty required by such contracts cannot be given by the Indigenous Peoples, but by the Government of Brazil.

In consideration of the lack of national regulation of a REDD Mechanism, there is no validity to these agreements.

The Foundation supports the rapid regulation of the National Mechanism Reducing Deforestation and Forest Degradation (REDD), considering that the lack of clear rules is the origin of the irregularities observed in this contractual matter.

FUNAI recommends that this mechanism should provide an arrangement / methodology that addresses specifically indigenous territories – protected areas covering 23% of the Amazon.

Territorial protection:

NO REDD brochure Earth People

NO REDD brochure Earth People

FUNAI’s initiatives to “establish guidelines and criteria to be observed in designing and implementing actions to protect the territories and Ethno-environment on indigenous lands “(Ordinance No. 1682) has not the objective to stop or hinder REDD contracts, nor to reduce the incidence of FUNAI’s procurement initiatives and projects on REDD.

The solution to this question is the National Regulatory Mechanism.

The definition of FUNAI’s guidelines for Territorial Protection aims to regulate the participation of indigenous Peoples in their territorial and environmental surveillance actions, promoting therefore the protection of the lands they inhabit and enjoy by law, as well as the localization and monitoring of indigenous peoples living in voluntary isolation. The surveillance project, supported by FUNAI, through the Project Territorial Protection, provides some guidelines and criteria for the participation of indigenous peoples at environmental and territorial surveillance actions.

The indication by their communities, the need to reside in indigenous territory, and not to be involved in activities, non- illicit and / or harmful to the survival or wellbeing of their community, are some examples.

FUNAI emphasizes that the knowledge of indigenous peoples about their territories is a fundamental element of surveillance, and FUNAI’s definition of guidelines recognizes the environmental services provided by indigenous lands and indigenous peoples.

The indigenous participation in actions to protect the Ethno-environment and territories on their own land is an expression of exercise of the right to self-determination and participation of the indigenous peoples, giving efficiency to these actions, as well as a stimulus to the Indigenous Peoples role in defending their territories.
********
comment from Earth Peoples: Read why REDD is a false solution to Climate Change, and bad for the people CLICK HERE
********

Esclarecimentos da Funai sobre atuação do mercado voluntário de REDD em Terras Indígenas

Sunday, March 25th, 2012

Fundação Nacional do Índio
Esclarecimentos da Funai sobre atuação do mercado voluntário de REDD em Terras Indígenas
A Fundação Nacional do Índio (Funai) informa que das mais de 30 etnias abordadas por empresas e/ou pessoas físicas para tratar de iniciativas de Redd e negociação de créditos de carbono no âmbito do mercado voluntário, nem todas fecharam contratos efetivamente, apesar de terem sido apresentados contratos e projetos.
O povo indígena Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, não fechou nenhum contrato, eles tem conduzido o seu projeto de forma articulada com esta Fundação, e acatado as diversas recomendações da Funai quanto ao seu processo específico, inclusive com as certificações VCS (Voluntary Carbon Standard) e CCBA (Clima, Comunidade e Biodiversidade), recebendo padrão ouro. Tem havido por parte deles a devida cautela no processo, avaliando os riscos e as potencialidades do mercado voluntário e da assinatura de contratos nesse contexto. Há a expectativa de que a Associação do povo Suruí apresente o projeto ao Fundo Amazônia e a Funai apóia essa iniciativa.
Quanto ao contrato de venda de créditos de carbono do complexo de terras indígenas Cinta Larga (Roosevelt, Aripuanã, Parque do Aripuanã e Serra Morena), com 2,7 milhões de hectares, a que a Funai teve acesso há aproximadamente um ano e meio, ele imobiliza toda a área e foi negociado por apenas alguns indivíduos da comunidade, não havendo consentimento de todos os indígenas. Desde que a Funai soube do contrato, várias providências foram tomadas, dentre elas a notificação à empresa responsável, realização de diversas reuniões informativas ao povo indígena Cinta Larga, comunicação oficial ao Ministério Público Federal para que acompanhe a questão,
Fundação Nacional do Índio
publicação orientadora sobre o assunto e comunicado oficial à Associação Cinta Larga esclarecendo a ilegalidade do contrato.
Assim como o caso citado acima, a maioria dos contratos a que a Funai teve acesso impedem os índios de executarem suas práticas tradicionais, como, por exemplo, plantação de roças e corte de árvores para subsistência sem prévia autorização da empresa. Além da previsão de contratos que perpassam por mais de uma geração e não prevêem cláusulas de rescisão contratual, caso haja algum prejuízo para a comunidade indígena.
A Funai, que tem como missão precípua a defesa dos direitos dos povos indígenas, é contra esses contratos. A Fundação tem informado às lideranças indígenas sobre a nulidade jurídica deles, tendo em vista que são terras da União e que a segurança jurídica exigida por esses contratos não pode ser dada pelos indígenas e sim pelo Estado brasileiro. Considerando, ainda, a falta de regulamentação no âmbito do Mecanismo Nacional de Redd, não existe qualquer validade nesses acordos.
A Fundação defende a rápida regulamentação do Mecanismo Nacional de Redução por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), pois considera que a falta de regras claras é a origem das irregularidades contratuais observadas nessa questão. Considera, ainda, que esse Mecanismo deva prever um arranjo/metodologia que contemple a especificidade das terras indígenas – áreas protegidas que abrangem 23% da Amazônia Legal.
Proteção territorial
As iniciativas da Funai em “estabelecer diretrizes e critérios a serem observados na concepção e execução das ações de proteção territorial e etnoambiental em terras indígenas” (Portaria no 1.682) não tem o objetivo de frear o assédio a contratos de Redd, tampouco de reduzir a incidência de
Fundação Nacional do Índio
iniciativas de contratos e projetos de Redd. A solução para essa questão é a regulamentação do Mecanismo Nacional.
A definição de diretrizes, pela Funai, para Proteção Territorial, objetiva regulamentar a participação de indígenas nas ações de vigilância territorial e ambiental, assim como nas atividades de localização e monitoramento de referências de povos indígenas isolados promovidas para proteção das terras que habitam e usufruem por direito, bem como de povos indígenas isolados.
Os projetos de vigilância, apoiados pela Funai, por meio do projeto de Proteção Territorial, estabelece algumas diretrizes e critérios a serem seguidos para a participação dos indígenas nas ações de vigilância ambiental e territorial. A indicação pelas suas comunidades, a necessidade de residir em território indígena e o não envolvimento em atividades ilícitas e/ou prejudiciais ao convívio em sua comunidade, são alguns exemplos.
A Funai destaca que o conhecimento dos povos indígenas sobre seus territórios é elemento fundamental das ações de vigilância, e a definição de diretrizes pela Fundação reconhece os serviços ambientais prestados pelas terras e povos indígenas. A participação indígena nas ações de proteção territorial e etnoambiental em suas próprias terras é uma expressão do exercício da autodeterminação e do direito de participação dos povos indígenas, conferindo eficiência a essas ações, assim como um estímulo ao protagonismo indígena na defesa de seus territórios.