Archive for June, 2012

Final Declaration International Indigenous Peoples Conference on Sustainable Development and Self Determination (English)

Sunday, June 24th, 2012

To download the Declaration click HERE

VIDEO: Financialization of Nature

Saturday, June 23rd, 2012

Short animated film about the takeover of nature by financial markets and the real alternatives coming up from the civil society:  VIDEO Financialization of Nature

INDIGENOUS PEOPLES REGION ALTAMIRA OCCUPY BELO MONTE DAM

Saturday, June 23rd, 2012

Since yesterday, Thursday 21/6/2012, the indigenous peoples affected by the hydroelectric dam Belo Monte occupy an area of the dams construction. They decided for the occupation in order to express their dissatisfaction at the disregard of their rights and the non-compliance with the (construction agreements) conditions, especially those relating to the Indigenous peoples. Organized by themselves and with their own resources, they occupied “Pimental”, and the work-in-progress site that is intended to allow construction. The demonstration is peaceful, and the Indigenous peoples request the presence of government representatives and the Northern Energy corporation.

Yesterday, the Earth’s Indigenous Xikrin Trench-Bacajá and Juruna Paquiçamba came to the cofferdam by river, from its IT, which are downstream of the dam in the region that suffer from drought in the project area called the Low Flow Xingu. Ships also left Altamira, where some Indians arrived by road from the more distant villages, and from where indigenous people reside or remained in the city. Are expected the Arara of the Big Bend of the Xingu and representatives of all indigenous lands in the region, coming from Iriri and Xingu rivers upstream of Altamira, in addition to the townspeople. This morning depart Paracana leaders to meet those who are already camped in the cofferdam.

The Indians are unhappy with the situation, since the conditions that should precede the works are not being adequately met in their lands and Altamira. Besides those that affect us all – as the delay in investing in the infrastructure of the city, health services and education and basic sanitation are increasingly burdened with the population increase already felt throughout the region – the indigenous peoples are concerned with the delay in implementation of the Basic Environmental Plan – indigenous component (PBA), which should establish and implement programs of compensation and mitigation of impacts already felt in the region by the Indians, with the delay in delivery of the Xikrin Complementary Studies River Bacajá , which for now have only been presented in the villages, and would allow a better scaling of impacts on this river and the Xikrin, and guarantee the definition of compensation programs and mitigation of these impacts, especially to predict that the drought will suffer from its river construction of the project, by ignorance of the PBA by the Indians, which is asked more and better performances for all to understand, the delay in defining the situation of indigenous land tenure Land Wanga, Paquiçamba, 17 km from the Juruna and Cachoeira Seca, be vague the transposition system of the dam and the fear that they are isolated from Altamira, a town where the main services that meet them (health, education, offices FUNAI); not authorize the construction of more roads as an alternative to river transport currently used by the Indians and that will be hampered by implementation of the dam and drought (reduced flow) of the riverbed, and the lack of necessary investment and infrastructure prior to work in the affected villages, such as to ensure the abstraction of drinking water in villages in the Volta Grande do Xingu, in which the water of the river, until then consumed by the population, is already muddy and unhealthy due to construction.

ÍNDIOS DA REGIÃO DE ALTAMIRA OCUPAM BARRAGEM DE BELO MONTE

Saturday, June 23rd, 2012

Desde ontem, quinta 21/06/2012, os índios afetados pela Hidrelétrica de Belo Monte ocupam um terreno de construção da Barragem. Eles decidiram pela ocupação para manifestar sua insatisfação com o desrespeito de seus direitos e o não-cumprimento das condicionantes, em especial aquelas relativas aos indígenas. Com organização própria e contando apenas com seus recursos, eles ocuparam uma ensecadeira que está sendo construída no Sítio Pimental que visa permitir a construção da obra. A manifestação é pacífica, e eles exigem a presença de representantes do governo e da Norte Energia Sociedade Anônima.

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Ontem, os Xikrin daTerra Indígena Trincheira-Bacajá e Juruna do Paquiçamba chegaram à ensecadeira por rio, vindos de suas TI, que ficam a jusante da barragem, na região que sofrerá com a seca, em área chamada pelo empreendimento de Vazão Reduzida do Xingu. Embarcações partiram também de Altamira, onde alguns indígenas chegaram por estrada vindos das aldeias mais distantes, e de onde partiram indígenas que permaneciam ou residem na cidade. São esperados os Arara da Volta Grande do Xingu e representantes de todas as Terras Indígenas na região, vindos dos rios Iriri e do Xingu, a montante de Altamira, além dos citadinos. Hoje de manhã lideranças parakanã partem para se reunir aos que já se encontram acampados na ensecadeira.

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Os índios estão insatisfeitos com a situação, já que as condicionantes que deveriam anteceder as obras não estão sendo devidamente cumpridas em suas terras e em Altamira. Além daquelas que afetam a todos – como a demora em investir na infra-estrutura da cidade, nos serviços de saúde e educação e no saneamento básico que estão cada vez mais sobrecarregados com o aumento populacional já sentido pela região –, os povos indígenas preocupam-se com a demora na implantação do Plano Básico Ambiental – componente indígena (PBA), que deveria estabelecer e efetivar os programas de compensação e mitigação dos impactos já sentidos na região pelos indígenas; com a demora na entrega aos Xikrin dos Estudos Complementares do Rio Bacajá, que por ora apenas foram apresentados nas aldeias, e que permitiria um melhor dimensionamento dos impactos neste rio e para os Xikrin, e garantia da definição de programas de compensação e mitigação destes impactos, em especial pela seca que prevêm que seu rio sofrerá com a construção do empreendimento; pelo desconhecimento do PBA pelos indígenas, do qual se pede mais e melhores apresentações para todos entenderem; pela demora em definir a situação fundiária das Terras Indígenas Terra Wangã, Paquiçamba, Juruna do Km. 17 e da Cachoeira Seca; pela indefinição no sistema de transposição da barragem e o temor de que eles fiquem isolados de Altamira, cidade onde estão os principais serviços que lhes atendem (de saúde, educação, escritórios da FUNAI); por não autorizarem a construção de mais estradas como alternativa ao transporte fluvial atualmente utilizado pelos indígenas e que será dificultado pela transposição da barragem e pela seca (vazão reduzida) do leito do rio; e pela falta do investimento necessário e anterior à obra em infraestrutura nas aldeias impactadas, como por exemplo para garantir a captação de água potável nas aldeias da Volta Grande do Xingu, nas quais a água do rio, até então consumida pela população, já está barrenta e insalubre devido à construção.

Kari-Oca Rio+20

Saturday, June 23rd, 2012

ACESSE O LINK PARA LER A DECLARACAO Kari-Oca

ALBA Expels USAID from Member Countries

Saturday, June 23rd, 2012

ALBA Expels USAID from Member Countries

Resolution from the Political Council of the Bolivarian Alliance for the Peoples of Our America (ALBA) for the immediate withdrawal of USAID from member countries of the alliance.

On behalf of the Chancellors of the Bolivarian Alliance for the Peoples of Our America, gathered in Rio de Janeiro, Federal Republic of Brazil, on June 21st 2012.

Given the open interference of the United States Agency for International Development (USAID) in the internal politics of the ALBA countries, under the excuse of “planning and administering economic and humanitarian assistance for the whole world outside of the United States,” financing non-governmental organizations and actions and projects designed to destabilise the legitimate governments which do not share their common interests.

Knowing the evidence brought to light by the declassified documents of the North American State Department in which the financing of organisations and political parties in opposition to ALBA countries is made evident,  in a clear and shameless interference in the internal political processes of each nation.

Given that this intervention of a foreign country in the internal politics of a country is contrary to the internal legislation of each nation.

On the understanding that in the majority of ALBA countries, USAID, through its different organisations and disguises, acts in an illegal manner with impunity, without possessing a legal framework to support this action, and illegally financing the media, political leaders and non-governmental organisations, amongst others.

On the understanding that through these financing programmes they are supporting NGOs which promote all kind of fundamentalism in order to conspire and limit the legal authority of our states, and in many cases, widely loot our natural resources on territory which they claim to control at their own free will.

Conscious of the fact that our countries do not need any kind of external financing for the maintenance of our democracies, which are consolidated through the will of the Latin American and Caribbean people, in the same way that we do not need organisations in the charge of foreign powers which, in practice, usurp and weaken the presence of state organisms and prevent them from developing the role that corresponds to them in the economic and social arena of our populations.

We resolve to:

Request that the heads of state and the government of the states who are members of the Bolivarian Alliance for the Peoples of Our America, immediately expel USAID and its delegates or representatives from their countries, due to the fact that we consider their presence and actions to constitute an interference which threatens the sovereignty and stability of our nations.

In the city of Rio de Janeiro, Federal Republic of Brazil, June 21st 2012.

Signed by:

The government of the Pluri-national state of Bolivia.

The government of the Republic of Cuba.

The government of the Republic of Ecuador.

The government of the Commonwealth of Dominica.

The government of the Republic of Nicaragua.

The government of the Bolivarian Republic of Venezuela.

Translated by Rachael Boothroyd for Venezuelanalysis

VIDEO: BRAZILIAN INDIGENOUS PEOPLES DECLARATION RIO+20 (ATL) FREE LAND CAMP – PEOPLES SUMMIT

Thursday, June 21st, 2012

(non-official translation into English by Earth Peoples)

PEOPLES SUMMIT FOR SOCIAL AND ENVIRONMENTAL JUSTICE

AGAINST THE MERCALIZATION OF LIFE, IN DEFENSE OF THE COMMONS

LETTER OF RIO DE JANEIRO

FINAL DECLARATION OF FREE LAND CAMP IX LIVING WELL / HEALTHY FUL LIFE

Rio de Janeiro, Brazil, 15 to 22 June 2012

We, more than 1,800 leaders, representatives of indigenous peoples and organizations present (APIB – Articulation of Indigenous Peoples of Brazil – COIAB, APOINME, ARPINSUL, ARPINSUDESTE, indigenous peoples of Mato Grosso do Sul and Guasu ATY), COICA – Coordinator of Indigenous Organizations Amazon Basin, IOTC – Andean Coordinator of Indigenous Organizations, CICA – Indigenous Council of Central America, and CCNAGUA – Guarani Continental Council of the Nation and representatives of other parts of the world, gathered in the parallel space of organizations and social movements, the Free Land Camp IX, at the Peoples Summit, during the United Nations Conference on Sustainable Development (Rio +20).

After intense debates and discussions held during 15-22 June on the various issues that affect us, the violation of our fundamental and collective rights as a peoples, we express as one united voice our cry of indignation and outrage to the governments, corporations and society in the face of severe crises which beset the planet and humanity (financial crises, environmental, energy, food and social) as a result of the predatory neo-development process of the commodification and financialization of life and Mother Nature.

It is thanks to our resilience that we keep our people alive as a (distinct) peoples, with our rich, ancient and complex knowledge systems and our understanding of all live that guarantees existence, with its currently vaunted Brazilian biodiversity, which explains that Brazil is the host two major conferences on the environment. Therefore, the (Indigenous Peoples) “Free Land Camp” is of fundamental importance in the Peoples’ Summit, the space that allows us to reflect, share and build alliances with other peoples, organizations and social movements in Brazil and the world, who like us, believe in other forms of living than the one imposed upon us by the capitalist and neoliberal development model.

We advocate and defend plural and autonomous forms of lives, inspired by the model of Living Well/ Healthy Life, where Mother Earth is respected and cared for, where humans are just another species among all the other compositions of the multi-diversity of the planet. In this model, there is no room for so-called green capitalism, or to new forms of appropriation of our biodiversity and our traditional knowledge.

Considering the importance of the Peoples’ Summit, we elaborated this Declaration, to clarify in it the main problems that affect us today, and to indicate ways on how to establish new relations between States and indigenous peoples, with the vision to construct a new model of society.

Repudiations

In accordance with the discussions at the Peoples Summit, we repudiate the structural causes and false solutions to the crises which beset our planet, including:

· We reject impunity and violence, imprisonment and murder of indigenous leaders (in Brazil, where Kayowá-Guarani, Argentina, Bolivia, Guatemala and Paraguay, among others).

· We reject major projects in indigenous territories, such as dams – Belo Monte, Jirau and others; transposition of Rio S. Francisco, nuclear power plants; Canal do Sertão, ports, national and international Highways, production of biofuels, the road within TIPNIS in Bolivia, and mining projects throughout Latin America).

· We condemn the action of financial institutions such as BNDES – National Bank of Economic and Social Development, which finances large projects with public money, but does not respect the right of the affected populations to be consulted, including 400 regions in Brazil, and in all countries that BNDES operates, including Latin America and Africa.

· We reject REDD contracts, and carbon credits that are false solutions that do not solve environmental problems but seek to commodify nature and ignore the traditional knowledge and ancient wisdom of our peoples.

· We reject the reduction of indigenous territories.

· We reject all legislative initiatives that aim to weaken indigenous rights in order to serve the interests of big business, through the relaxation or distortion of indigenous and environmental legislation in several countries, such as the PEC 215 and the Forest Code in the Brazilian Congress and the proposed changes in Ecuador.

· We condemn the repression suffered by the Bolivian relatives at the Ninth March “Defense of Life and Dignity, Indigenous Territories, Natural Resources, Biodiversity, Environment and Protected Areas, the Compliance of CPE (Political Constitution of the State) and respect for democracy.” We express our solidarity with the relatives killed and arrested in this crackdown by the Bolivian state.

· We demand that dialogue between the United Nations and the Brazilian Indigenous Movement must be facilitated in an respectful manner by the UN system, such as that our representation that defends Collective Rights must be supported and legitimized by the Indigenous Peoples of Brazil.
.

Proposals

· We call for the protection of indigenous land rights. In Brazil, more than 60% of Indian territories were not demarcated and ratified. We demand the immediate recognition and demarcation of indigenous lands, including policies to strengthen the demarcated areas, including the removal of farmers and others that are invading other territories.

· We demand an end to impunity for the murderers and persecutors of the indigenous leaders. Indigenous leaders, women and men are murdered and the criminals continue to be free, and no action has been taken to charge them. We request that the instigators and executors that committed crimes (murder, robbery, rape, torture) against our people and communities are tried and punished.

· We demand the end to the criminalization of indigenous leaders. That the struggles of our peoples for their land rights are not criminalized by governmental authorities that should instead ensure the protection and implementation of indigenous rights.

· We demand the guarantee of the right to consultation and free, prior and informed consent of each indigenous people – in accordance with the ILO Convention 169, according to the specificity of each people, strictly following the principles of good faith of this binding Convention. We need to be respected and strengthened in the institutional fabric of each of our peoples, to have our own appropriate mechanisms for deliberation and representation, and to be enabled to participate in consultation processes with states.

· We call for the expansion of indigenous territories.

· We call for transparent and independent monitoring of watersheds.

· We call for the recognition and strengthening the role of indigenous peoples in the protection of biomes.

· We ask for the urgent demarcation of land for the people without assistance and camped in precarious situations, such as on riverbanks, roadsides and areas without sanitation infrastructure. In Brazil alone, there are hundreds of indigenous camps in this situation. 40% of the population of these camps are children.

· We call for the improvement of health conditions of indigenous peoples, such as in Brazil, to increase the budget of SESAI – Special Secretariat of Indigenous Health, the implementation of financial administrative and political autonomy of DSEIs (Special Indigenous Health Districts), and to guarantee the rights of indigenous peoples with disabilities.

· We want an Indigenous Education that respects the diversity of each nation and culture, with special and differential treatment for each language, customs and traditions.

· We demand that states implement effective policies to guarantee appropriate indigenous education, as etnoeducacionais territories in Brazil.

· We want an indigenous education with components of environmental education that promotes environmental protection and sustainability of our territories.

· We demand conditions for the development of our traditions and ancient ways of production.

Finally, it won’t be the false solutions that are proposed by governments – the so-called green economy, that will pay off the debts of States with our people.

We reiterate our commitment to unity of indigenous peoples as demonstrated in our alliance within our communities, with indigenous nations, organizations, the Indigenous Caucus and others.

THE SALVATION OF THE PLANET IS IN THE ANCIENT WISDOM OF INDIGENOUS PEOPLES

RIO DE JANEIRO, 20 JUNE 2012

APIB – Articulation of Indigenous Peoples of Brazil, COICA – Coordinator of Indigenous Organizations of the Amazon Basin, IOTC – Andean Coordinator of Indigenous Organizations, CICA – Indigenous Council of Central America, and CCNAGUA – Guarani Continental Council of the Nation

TO WATCH VIDEO (Audio-Visual Report):CLICK HERE

To download the Declaration in its original (Portuguese) click:HERE

Indigenous "Free Land Camp" (Photo © Rebecca Sommer)

Indigenous

VIDEO: RIO+20: INDIGENOUS PEOPLES PROTEST MARCH – 20 june 2012

Thursday, June 21st, 2012

RIO+20: INDIGENOUS PEOPLES PROTEST MARCH – 20 June 2012

Indigenous Peoples Protest March in front of UN premises RIO+20 (Photo © Rebecca Sommer)

Indigenous Peoples Protest March in front of UN premises RIO+20 (Photo © Rebecca Sommer)

TO WATCH VIDEO CLICK HERE

Hundreds of indigenous peoples from Brazil nearly stormed the entrance of the official UN RIO+20 conference yesterday, June 20 2012,  that was heavily guarded by armed forces.

RIO+20: INDIGENOUS PEOPLES PROTEST MARCH - 20 june 2012(Photo © Rebecca Sommer)

RIO+20: INDIGENOUS PEOPLES PROTEST MARCH - 20 june 2012(Photo © Rebecca Sommer)

Secretary General of the Presidency of Brazil, Gilberto de Cavalho, pressured by the resistance of the indigenous protesters to leave,  came finally outside.

Police at RIO+20: INDIGENOUS PEOPLES PROTEST MARCH - 20 june 2012(Photo © Rebecca Sommer)

Police at RIO+20: INDIGENOUS PEOPLES PROTEST MARCH - 20 june 2012(Photo © Rebecca Sommer)

Cavalho promised upon repeated demand of the  outraged protesters that 12 indigenous leaders will be allowed to enter the UN premises to deliver their final outcome document to the world at the official UN conference.

RIO+20: INDIGENOUS PEOPLES PROTEST MARCH Chief Raoni and Secretary General of the Presidency of Brazil, Gilberto de Cavalho

RIO+20: INDIGENOUS PEOPLES PROTEST MARCH Chief Raoni and Secretary General of the Presidency of Brazil, Gilberto de Cavalho

After the protesters returned to the Indigenous “Free Land Camp”,  located 2 hours away from the official UN meeting at the Peoples Summit space at the Flamengo Park,

Final Text discussed and agreed upon at Indigenous "Free Land Camp" (Photo © Rebecca Sommer)

Final Text discussed and agreed upon at Indigenous

the indigenous  technical team  – that had merged over the past days text from regional indigenous prep-meetings documents – presented their final proposal, which was agreed upon at around 8pm by the indigenous representatives present.

Final Text discussed at Indigenous "Free Land Camp" (Photo © Rebecca Sommer)

Final Text discussed at Indigenous

Today,  12 indigenous representatives from Brazil will therefore deliver the final document “CARTA DO RIO DE JANEIRO”.

Final Text discussed and agreed upon at Indigenous "Free Land Camp" (Photo © Rebecca Sommer)

Final Text discussed and agreed upon at Indigenous

Despite the hardship of Indigenous peoples to arrive in Rio, despite that the Brazilian Buerau or Indian Affairs (FUNAI) had broken their promise to arrange transport for the indigenous peoples for every region of Brazil at the very day of departure, leaving most of the regions with no way to send their representatives to Rio, despite the attempt of Brazil to weaken the indigenous movement by hindering their participation within the official UN event (no registration- UN passes), despite the attempt of Brazil to create disunity among the indigenous peoples (see Carta do Rio de Janeiro regarding the space inside RioCento=Karioka)

RIO+20: Indigenous Peoples Protest March June 20 2012(Photo © Rebecca Sommer)

RIO+20: Indigenous Peoples Protest March June 20 2012(Photo © Rebecca Sommer)

– the indigenous movement of Brazil showed once again that they are not willing to have their political voice being suffocated.

To download CARTA DO RIO DE JANEIRO in portuguese, click HERE

To download the RIO DE JANEIRO DECLARATION in English, clickHERE

DECLARAÇÃO INDIGENA DO BRASIL RIO+20 – 15 a 22 de junho de 2012 – ACAMPAMENTO TERRA LIVRE (ATL)

Thursday, June 21st, 2012

ACESSE O LINK PARA VER VIDEO

CARTA DO RIO DE JANEIRO
DECLARAÇÃO FINAL DO IX ACAMPAMENTO TERRA LIVRE – BOM VIVER/VIDA PLENA
Rio de Janeiro, Brasil, 15 a 22 de junho de 2012

CARTA DO RIO DE JANEIRO DECLARAÇÃO FINAL (Photo © Rebecca Sommer)

CARTA DO RIO DE JANEIRO DECLARAÇÃO FINAL (Photo © Rebecca Sommer)

Nós, mais de 1.800 lideranças, representantes de povos e organizações indígenas presentes, APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (COIAB, APOINME, ARPINSUL, ARPINSUDESTE, povos indígenas do Mato Grosso do Sul e ATY GUASU), COICA – Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, CAOI – Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, CICA – Conselho Indígena da América Central, e CCNAGUA – Conselho Continental da Nação Guarani e representantes de outras partes do mundo, nos reunimos no IX Acampamento Terra Livre, por ocasião da Cúpula dos Povos, encontro paralelo de organizações e movimentos sociais, face à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

Depois de intensos debates e discussões realizados no período de 15 a 22 de Junho sobre os distintos problemas que nos afetam, como expressão da violação dos direitos fundamentais e coletivos de nossos povos, vimos em uma só voz expressar perante os governos, corporações e a sociedade como um todo o nosso grito de indignação e repúdio frente às graves crises que se abatem sobre todo o planeta e a humanidade (crises financeira, ambiental, energética, alimentar e social), em decorrência do modelo neo-desenvolvimentista e depredador que aprofunda o processo de mercantilização e financeirização da vida e da Mãe Natureza.

É graças à nossa capacidade de resistência que mantemos vivos os nossos povos e o nosso rico, milenar e complexo sistema de conhecimento e experiência de vida que garante a existência, na atualidade, da tão propagada biodiversidade brasileira, o que justifica ser o Brasil o anfitrião de duas grandes conferências mundiais sobre meio ambiente. Portanto, o Acampamento Terra Livre é de fundamental importância na Cúpula dos Povos, o espaço que nos possibilita refletir, partilhar e construir alianças com outros povos, organizações e movimentos sociais do Brasil e do mundo, que assim como nós, acreditam em outras formas de viver que não a imposta pelo modelo desenvolvimentista capitalista e neoliberal.

Defendemos formas de vidas plurais e autônomas, inspiradas pelo modelo do Bom Viver/Vida Plena, onde a Mãe Terra é respeitada e cuidada, onde os seres humanos representam apenas mais uma espécie entre todas as demais que compõem a pluridiversidade do planeta. Nesse modelo, não há espaço para o chamado capitalismo verde, nem para suas novas formas de apropriação de nossa biodiversidade e de nossos conhecimentos tradicionais associados.

Considerando a relevante importância da Cúpula dos Povos, elaboramos esta declaração, fazendo constar nela os principais problemas que hoje nos afetam, mas principalmente indicando formas de superação que apontam para o estabelecimento de novas relações entre os Estados e os povos indígenas, tendo em vista a construção de um novo projeto de sociedade.

Repúdios
Em acordo com as discussões na Cúpula dos Povos, repudiamos as causas estruturais e as falsas soluções para as crises que se abatem sobre nosso planeta, inclusive:
• Repudiamos a impunidade e a violência, a prisão e o assassinato de lideranças indígenas (no Brasil, caso Kayowá-guarani, Argentina, Bolívia, Guatemala e Paraguai, entre outros).
• Repudiamos os grandes empreendimentos em territórios indígenas, como as barragens – Belo Monte, Jirau e outras; transposição do Rio S. Francisco; usinas nucleares; Canal do Sertão; portos; ferrovias nacionais e transnacionais, produtoras de biocombustíveis, a estrada no território TIPNIS na Bolívia, e empreendimentos mineradores por toda a América Latina).
• Repudiamos a ação de instituições financeiras como o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que financia grandes empreendimentos com dinheiro público, mas não respeita o direito à consulta as populações afetadas, incluindo 400 regiões no Brasil, e em todos os países em que atuam, inclusive na América Latina e África.
• Repudiamos os contratos de REDD e créditos de carbono, falsas soluções que não resolvem os problemas ambientais e procuram mercantilizar a natureza e ignoram os conhecimentos tradicionais e a sabedoria milenar de nossos povos.
• Repudiamos a diminuição dos territórios indígenas.
• Repudiamos todas as iniciativas legislativas que visem submeter os direitos indígenas ao grande capital, através da flexibilização ou descaracterização da legislação indigenista e ambiental em vários países, como a PEC 215 e o Código Florestal no congresso brasileiro e as alterações propostas no Equador.
• Repudiamos a repressão sofrida pelos parentes bolivianos da IX Marcha pela “Defesa da Vida e Dignidade, Territórios Indígenas, Recursos Naturais, Biodiversidade, Meio Ambiente, e Áreas Protegidas, pelo Cumprimento da CPE (Constituição Política do Estado) e o respeito a Democracia”. Manifestamos nossa solidariedade aos parentes assassinados e presos nesta ação repressiva do estado boliviano.
• Repudiamos a atuação de Marco Terena que se apresenta como líder indígena do Brasil e representante dos nossos povos em espaços internacionais, visto que ele não é reconhecido como legítimo representante do povo Terena, como clamado pelas lideranças deste povo presentes no IX Acampamento Terra Livre.

Propostas
• Clamamos pela proteção dos direitos territoriais indígenas. No Brasil, mais de 60% das terras indígenas não foram demarcadas e homologadas. Reivindicamos o reconhecimento e demarcação imediatos das terras indígenas, inclusive com políticas de fortalecimento das áreas demarcadas, incluindo desintrusão dos fazendeiros e outros invasores dos territórios.
• Reivindicamos o fim da impunidade dos assassinos e perseguidores das lideranças indígenas. Lideranças indígenas, mulheres e homens, são assassinados, e os criminosos estão soltos e não são tomadas providências. Reivindicamos que sejam julgados e punidos os mandantes e executores de crimes (assassinatos, esbulho, estupros, torturas) cometidos contra os nossos povos e comunidades.
• Reivindicamos o fim da criminalização das lideranças indígenas. Que as lutas dos nossos povos pelos seus direitos territoriais não sejam criminalizadas por agentes do poder público que deveriam exercer a função de proteger e zelar pelos direitos indígenas.
• Exigimos a garantia do direito à consulta e consentimento livre, prévio e informado, de cada povo indígena, em respeito à Convenção 169 da OIT – Organização Internacional do Trabalho, de acordo com a especificidade de cada povo, seguindo rigorosamente os princípios da boa-fé e do caráter vinculante desta convenção. Precisamos que seja respeitado e fortalecido o tecido institucional de cada um de nossos povos, para dispor de mecanismos próprios de deliberação e representação capazes de participar do processo de consultas com a frente estatal.
• Clamamos pela ampliação dos territórios indígenas.
• Clamamos pelo monitoramento transparente e independente das bacias hidrográficas.
• Clamamos pelo reconhecimento e fortalecimento do papel dos indígenas na proteção dos biomas.
• Pedimos prioridade para demarcação das terras dos povos sem assistência e acampados em situações precárias, como margens de rio, beira de estradas e áreas sem infraestrutura sanitária. Apenas no Brasil, existem centenas de acampamentos indígenas nesta situação. 40% da população destes acampamentos são crianças.
• Clamamos pela melhora das condições de saúde aos povos indígenas, como por exemplo, no Brasil, pelo aumento do orçamento da SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena, a implementação da autonomia financeira, administrativa e política dos DSEIs – Distritos Sanitários Especiais Indígenas, e a garantia dos direitos dos indígenas com deficiência.
• Queremos uma Educação Escolar Indígena que respeite a diversidade de cada povo e cultura, com tratamento específico e diferenciado a cada língua, costumes e tradições.
• Exigimos que se tornem efetivas as políticas dos estados para garantia da educação escolar indígena, tal como os territórios etnoeducacionais no Brasil.
• Queremos uma educação escolar indígena com componentes de educação ambiental, que promova a proteção do meio ambiente e a sustentabilidade de nossos territórios.
• Exigimos condições para o desenvolvimento a partir das tradições e formas milenares de produção dos nossos povos.

Finalmente, não são as falsas soluções propostas pelos governos e pela chamada economia verde que irão saldar as dívidas dos Estados para com os nossos povos.

Reiteramos nosso compromisso pela unidade dos povos indígenas como demonstrado em nossa aliança desde nossas comunidades, povos, organizações, o conclave indígena e outros.

A SALVAÇÃO DO PLANETA ESTÁ NA SABEDORIA ANCESTRAL DOS POVOS INDÍGENAS

RIO DE JANEIRO, 20 DE JUNHO DE 2012

APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, COICA – Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, CAOI – Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, CICA – Conselho Indígena da América Central, e CCNAGUA – Conselho Continental da Nação Guarani

Azelene Kaingáng: O que penso da Rio+20?

Tuesday, June 19th, 2012

Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra?
Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar
ou do resplendor da água, como então podes comprá-los?
Cacique Seattle

Quando vejo a situação do meu Povo, a miséria, o abandono, o desrespeito, o descaso, a violência e a violação de direitos humanos básicos…não só do povo kaingáng, mas dos Povos Indígenas do Brasil, fico em dúvida em participar ou não da Rio+20, penso que participar é fazer palco para os grandes poluidores, mas por outro lado pode ser um espaço para se fazer ouvir, se os chefes de Estado não conhecessem nossas lutas e reivindicações nessa arena. Uma Conferência desse porte inicialmente presidida pela China já é um sinal de que não podemos esperar muito dos chefes de nações, em especial os mais ricos. Eles seguramente não abrirão mão do desenvolvimento doente e contaminado que lideram em nível mundial, tampouco se comprometerão em reduzir suas emissões de gases poluentes na atmosfera causadores do efeito estufa, eles dificilmente se comprometerão em preservar o ambiente mantendo a vida saudável no planeta.
A pobreza, a fome e a miséria aumentam na mesma proporção em que avança o “desenvolvimento”, pergunto se eles entenderam o que é e o que significa “desenvolvimento sustentável”, propalado aos quatro cantos e que é o carro chefe da Conferência das Nações Unidas. O que é economia verde? Que na verdade tudo o que é “verde” sai do alcance das camadas mais pobres da população e vira artigo de luxo! Porque é moda ser “verde”, ainda que não contribua para a redução da pobreza extrema e da miséria no mundo! Todo o ser humano deveria ter assegurado o direito humano de se alimentar e não morrer de fome, este deveria ser um compromisso basilar dos chefes de Estado para então falar e sustentabilidade…porque nada vale a pena quando nossos pequenos ainda morrem de fome e são as maiores vítimas da pobreza extrema! Falar em preservação ambiental para muitos é apenas falar, literalmente, em preservar florestas, negociar a emissão de gases poluentes, ver quem paga mais, quem dá mais dinheiro para os chamados “serviços ambientais”, mas não pensam que ambiente equilibrado é um lugar sem fome, sem miséria, sem violência, sem racismo, sem preconceito…o resto é consequência!
O que esperar do próprio Brasil? Basta olhar para o Brasil do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), as barragens, as rodovias, as obras que invadem os territórios indígenas e que nos deixam sem alternativa, a transposição do Rio São Francisco, as hidrovias e tantas obras em nome do desenvolvimento que deixam milhares vivendo na mais extrema miséria!
Vejamos o retrocesso na demarcação dos territórios indígenas, os argumentos que tem pautado as decisões do judiciário brasileiro estão sempre ancorados numa visão preconceituosa e de total desinformação sobre os direitos indígenas, em especial aqueles assegurados e protegidos pelo direito internacional. A pobreza de argumentos contra os direitos territoriais indígenas, pelo judiciário e legislativo chega a ser cômica na medida em que são unânimes em considerar que a consolidação desse direito é uma ameaça a soberania do país.
Já a posição do executivo nas instâncias internacionais é um tanto contraditória tendo em vista o que aconteceu quando recorremos às Cortes Internacionais para defender nossos direitos. Numa demonstração de arrogância, o Estado brasileiro ameaçou sair do sistema interamericano quando a CIDH (Comissão interamericana de Direitos Humanos), pediu explicações ao Brasil sobre o porquê da não consulta prévia, livre e informada aos povos Indígenas sobre a construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, uma reação contra o sistema que o próprio País faz parte e que ajudou a consolidar.
Quando olhamos para trás e nos perguntamos o que mudou desde a ECO 92 até agora, não precisa ser nenhum expert para perceber o que aconteceu com a vida no planeta…basta apenas ser sábio para ter a clareza de que ninguém cumpriu com os compromissos assumidos naquela Conferência, ou seja, ninguém fez o dever de casa, se perguntados muito poucos deverão se lembrar dos compromissos da agenda 21.
Inclusive, e não sejamos hipócritas, muitas ONG´s e movimentos sociais e ambientalistas, com raríssimas exceções, também estão lá na Rio+20 de olho no dinheiro sujo dos poluidores…de olho no dinheiro do REDD, dos mercados de carbono e de tantos outros prometidos milhões em nome da preservação ambiental e da vida no planeta! Em nome da reversão das mudanças do clima, da economia verde e do desenvolvimento sustentável, não percebendo que os mais ricos querem pagar para continuarem sujando o que nós os Povos Indígenas e outros preservamos há milênios!

Por Azelene Kaingáng: Socióloga do Povo Indígena Kaingáng- Mestranda em Políticas Sociais e Prêmio Nacional de Direitos Humanos, Earth Peoples.