Archive for the ‘Belo Monte’ Category

“Estamos indignados com o governo brasileiro”

Wednesday, May 1st, 2013


Carta ao governo brasileiro e à sociedade

Nós, lideranças, caciques e guerreiros Munduruku do Alto, Médio e Baixo Tapajós reunidos para reafirmar nossa posição contrária à construção de barragens em nossos rios, e estamos completamente indignados com a falta de respeito do governo brasileiro por não comparecer ao nosso encontro, marcado para hoje, 25 de abril, na aldeia Sai Cinza, município de Jacareacanga, Pará.

Os representantes Tiago Garcia e Nilton Tubino, da Secretaria Geral da Presidência da República, afirmaram aos vereadores Munduruku de Jacareacanga que não viriam à aldeia porque temiam violência da nossa parte, que nós estávamos esperando por eles armados e com gaiolas para prendê-los. O governo está tentando se fazer de vítima, e isso não é verdade. Quem chegou armado na cidade de Jacareacanga foi o governo, com a Polícia Federal e a Força Nacional.

Segundo Nilton, o ministro Gilberto Carvalho desautorizou a delegação a vir a nossa aldeia, e tentou impor uma reunião na cidade de Jacareacanga, sob presença militar. E isso nós não aceitamos. Essa reunião já tinha sido desmarcada uma vez. Ela deveria ter acontecido no dia 10 de abril, mas por causa da Operação Tapajós, nós ficamos com medo de um ataque igual ao que aconteceu na aldeia Teles Pires em novembro do ano passado, quando assassinaram nosso parente Adenilson. Por isso nós não aceitamos que esse encontro acontecesse naquela data.

E agora o governo chega novamente armado com suas tropas para uma reunião com o nosso povo, e inventa todo tipo de mentira, manipulações e distorções sobre nós Munduruku. Nós queremos o diálogo, mas não é possível ter diálogo com armas apontadas nas nossas cabeças. E achamos que talvez o governo não queira dialogar, porque quem quer dialogar não mata indígena, não invade aldeias e nem vem armado com policiais e helicópteros.

Exigimos que o governo pare de tentar nos dividir e manipular, pressionando individualmente nossas lideranças, caciques ou vereadores. Lembramos que quem responde oficialmente pelo nosso povo são as coordenações das associações Munduruku, chamadas Pusuru e Pahyhy, as entidades representativas de todas as comunidades Munduruku. Somos um só povo, todas as nossas decisões são sempre coletivas e nós as expressamos sempre através das associações.

Por fim, reafirmamos que nós povo Munduruku não queremos guerra, queremos paz. E por isso queremos que todas as tropas militares saiam da região. A partir de agora, exigimos que todos encontros e reuniões com governo sejam sempre acompanhados pela procuradoria do Ministério Público Federal do Pará. Queremos que nossa posição sobre a barragem seja respeitada, e que o governo regulamente a consulta prévia aos povos indígenas como manda a Convenção 169 da OIT, tudo isso antes de qualquer decisão, estudo ou construção de barragem.

Também exigimos que nossos direitos constitucionais sejam garantidos, sem que sejam usados como moeda de troca. E reafirmamos: somos contra as barragens e queremos todos os nossos rios livres. E nós vamos lutar por eles.

Aldeia Sai Cinza, 25 de abril de 2013.

Assinam este documento caciques, lideranças, guerreiros e povo Munduruku.

Belo Monte: Ende und Anfang des Paradieses

Wednesday, April 10th, 2013

Das Amazonasgebiet beherbergt den grössten und artenreichsten Regenwald der Welt. Ein Mega-Staudammprojekt verspricht den Menschen Geld und eine grosse Zukunft – und gefährdet damit den letzten Rest des Naturgebiets sowie der indigenen Kultur.

Click hier: Artikel von Mara Simperler

Resumo da notícia: GfbV (SPA) - Dois ramos da ONG de direitos humanos Sociedade para os Povos Ameaçados Internacional acusados de desvio de doações, na Alemanha e na Suíça

Tuesday, April 9th, 2013

Resumo da notícia: GfbV (SPA) - Dois ramos da ONG de direitos humanos Sociedade para os Povos Ameaçados Internacional acusados de desvio de doações, na Alemanha e na Suíça

(Veja as referências [a, b, etc] em baixo)

Sociedade para os Povos Ameaçados Internacional ( GfbV) Presidente Tilman Zulch (Alemanha) (esquerda) e Vice-Presidente Christoph Wiedmer ( Suíça) (direita). Ambas as organizações foram acusados e são investigados por estado na Alemanha e na Suíça por fraude e peculato

Sociedade para os Povos Ameaçados Internacional ( GfbV) Presidente Tilman Zulch (Alemanha) (esquerda) e Vice-Presidente Christoph Wiedmer ( Suíça) (direita). Ambas as organizações foram acusados e são investigados pelo MPF na Alemanha e na Suíça por fraude e peculato

A Sociedade para os Povos Ameaçados Internacional (SPAI) tem filiais na Alemanha [a], Itália [b], Áustria [c], Bósnia-Herzegovina [d] e Suíça [e]. A organização também afirma ter filiais no Chile, EUA e Iraque.

O Secretário-Geral da SPAI e da sede da organização, a Sociedade para os Povos Ameaçados-Alemanha (GfbV-Deutschland) é Tilman Zulch [1] [2]. O Vice-Presidente da STP-Internacional ((GfbV-International) é Christoph Wiedmer [3], que também é o diretor da Sociedade para os Povos Ameaçados-Suíça (GfbV-Schweiz] [4].

Ambos os ramos da organização não-governamental e internacional, “não-lucrativos e de direitos humanos” estão atualmente sob investigação criminal por fraude e desvio de dinheiro de doações, por procuradores do Estado em ambos os países, Alemanha [5] e Suíça [6].

Em 2012, o procurador do estado em Alemanha anunciou investigações acerca de acusações de peculato movidas pelo Conselho de Administração da Sociedade para os Povos Ameaçados [7], contra Tilman Zulch, o secretário-geral da organização guarda-chuva tanto internacional e da filial alemã. Em 2010, o Conselho de Administração descoberto irregularidades substanciais de contabilidade e contratuais [7] e acusou-o de desvio de recursos de doações e fundos [8], de ter continuado a receber os pagamentos de salário de 70.000,00 euros por ano, apesar de ele ter concordado em renunciar a sua posição como Secretário-Geral (uma posição, aliás, que sequer existe nos estatutos da organização), e por ter ordenado pagamentos ao filial em Bósnia-Herzegovina [d] baseado em documentação insuficiente [9]. Eles também questionaram pagamentos encaminhados para terceiros.

Já há uma década, cerca de um milhão de Marcas Alemães (aproximadamente dois milhões de reais) estavam faltando dos ativos na prestação de contas anual da organização e a Sociedade para os Povos Ameaçados estava à beira da falência. A organização teve de pedir dinheiro emprestado a particulares e de outras fontes para preencher os buracos. É interessante notar que o diretor financeiro da entidde desse período é o mesmo que assina o relatório de auditoria agora.

Uma porta-voz da sede da organização, em Göttingen, na Alemanha, rejeitou as acusações [10].

Após a expulsão oficial da organização de ex-membros do conselho em novembro de 2012 [ref 11] [12] [13], o novo conselho de administração rapidamente retirou as acusações que haviam sido apresentados pelo conselho anterior. Dias depois, o filial alemã e a sede da Sociedade para os Povos Ameaçados Internacional (STPI) afirmaram nos seus sítios falsamente, que o Ministério Público teria rejeitado as acusações e encerrado o caso. (Até a data de publicação o comunicado relevante publicado nos seus sítios não pode ser encontrado).

Em 2013, o ex-presidente do Conselho, Harald Klein, e o ex-vice-presidente, James Albert, apresentaram acusações adicionais para assegurar que a investigação do desfalque de doações por parte da organização continue.

Hoje em dia, Tilman Zulch atua como Presidente de Honra da SPA-Internacional e como secretário-geral da SPAI-Alemanha [1] [2]. Além disso, ele é Senior Associate e assessor do conselho de administração do Comitê para uma ONU Democrática [14].

Desde 11 de fevereiro de 2013, o filial suiço da SPAI também está sob investigação por desvio substancial de doações e de ativos da organização [15]. Os procuradores do Estado na cidade de Berna abriram um processo criminal para investigar as alegações de desvio de doações [16] [17].

Atualmente, Christoph Wiedmer é o vice-presidente da SPA-Internacional, e o director-geral da Sociedade para os Povos Ameaçados-Suíça [3] [4].

A organização internacional tem status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas e status participativo junto ao Conselho da Europa. SPAI também é uma organização membro do Comité para uma ONU Demócrata.

Referências (em alemão):

a. GfbV página inicial Alemanha
b. Associazione per i Popoli minacciati GfbV Itália página inicial
c. GfbV página inicial Áustria
d. (GfbV)STP Suíça página inicial
1.  (GfbV) Sociedade para os Povos Ameaçados Internacional: Tilman Zulch - Presidente Honorário da Sociedade Internacional para os Povos Ameaçados site
2. GfbV Alemanha: STP Alemanha: Tilman Zulch - Secretário-Sociedade para os Povos Ameaçados, site Alemanha
3. (GfbV) Sociedade para os Povos Ameaçados Internacional: Christoph Wiedmer Vice-Presidente
4.  GfbV Suíça: Christoph Wiedmer-diretor - Sociedade para os Povos Ameaçados site Suíça
5. (GfbV)“Disputa na Sociedade para os Povos Ameaçados Alemão”(26 de Novembro 2012) Ruedi Suter, Relatórios Online
6. “Fraudador arruinou a Sociedade para os Povos Ameaçados” (11 de Fevereiro de 2013) Ruedi Suter, Relatórios Online
7. “Investigações contra Zulch” (29 Fevereiro 2012) Matthias Heinzel, Göttinger Tageblatt
8. “EM DISPUTA: organização de direitos humanos com suspeitas saídas de fundos” (2 de novembro de 2012) Reimar PAULO, Göttingen taz
9. “Investigação contra Zulch Tilman STP-fundador por desvio de fundos” (Novembro de 2011) Hessian Niedersächsische Allgemeine
10. “Organização de Direitos Humanos em Göttingen tem guerra interna - na Sociedade para os Povos Ameaçados(GfbV)” (13 de Março 2012) Charlotte Morgenthal Catedral Rádio
11. “Sociedade para os Povos Ameaçados dispara ex-board membros” (2012/11/04) DAPD
12. “SOCIEDADE PARA POVOS AMEAÇADO bloco de crítica”A disputa de meses de duração da Sociedade para os Povos Ameaçados foi formalmente terminado - com a exclusão de ex-membros do conselho “(04 de novembro 20112) Reimar Paulo, O diário
13. (GfbV)STP inclui ex-membros” (05 de novembro de 2012) Christian Rother, Rádio Cidade Göttingen.
14. Tilman Zulch, presidente da Sociedade para os Povos Ameaçados KDUN Senior Associates
15. “Sociedade para os Povos Ameaçados, Desfalque com uma ONG” (11 de Fevereiro de 2013) Neue Zürcher Zeitung
16. Suedostschweiz “Gelder veruntreut bei GfbV”>”Fundos desviados em Sociedade para os Povos Ameaçados (GfbV)  ” (11 de Fevereiro de 2013) “jornal SuedostSchweizer
17. “PROCESSOS PENAIS: Peculato traz Sociedade para os Povos Ameaçadas (GfbV)à ruína” (11 de Fevereiro de 2013) do jornal Basellandschaftliche

Brasil-BELO MONTE- QUANTO VALE UM ÍNDIO?

Friday, April 5th, 2013

SEM INTERVENÇÃO PÚBLICA, AS COMPENSAÇÕES FINANCEIRAS DA USINA DE BELO MONTE
DESAGREGAM AS ALDEIAS DA REGIÃO

Willian Vieira

Para ir de Altamira à aldeia Paquiçamba são duas horas de caminhonete por uma rota lamacenta que só ganha asfalto quando ladeada pelos canteiros da usina de Belo Monte. De barco levaria oito horas. Graças a uma carona, após oito dias na cidade, Marino Juruna é recebido por seus índios. Em silêncio. Traz em seu poder só um galão de gasolina. Nada de material de construção, nenhuma notícia de avanço nas negociações pela ansiada indenização da Norte Energia. “A aldeia não é mais a mesma”, diz o cacique, enquanto abre a janela da recém-construída casa com cinco cômodos, sofá e televisão e aponta para as antenas parabólicas e telhados que desalojaram li palha dos casebres.



Poços artesianos, um engenho de farinha e placas de energia solar surgem no horizonte, tudo comprado com recursos do consórcio construtor da usina. Os últimos quilômetros da estrada, antes intrafegáveis, ganharam uma cobertura de pedra, obtida na marra” após bloqueio no canteiro, diz Juruna. “É o lado bom da coisa. E eles não dão nem metade do que agente pede.”



Das palavras do cacique emerge um dos maiores efeitos da obra: um jogo de negociações entre indígenas e empresas, fruto de um modus operandi duvidoso e da ausência da Funai, que transformaram Paquiçamba, uma das poucas comunidades diretamente afetadas, no retrato fiel do impacto cultural e socioeconômico de Belo Monte. A aldeia não é mais a mesma”, repete Juruna. Até o começo de 2011, quando a obra começou, havia 37 famílias sob sua liderança. Hoje são nove. As outras se dividiram em três novas aldeias, cada qual com seu cacique. “Esses recursos causaram desunião. Muitos pensam que a liderança está desviando recursos, ouvem que a outra aldeia tem mais objetos, que podemos conseguir mais.” Juruna suspira. “Já botei meu cargo à disposição. Ninguém quer.”



O caso não é único. Foram criadas 15 aldeias em dois anos. As 19 existentes em 2010 viraram 34 em 2012. Outras estão prestes a nascer. Uma “proliferação de aldeias” que o indigenista Antonio Carlos Magalhães atribui ao Programa Emergencial, acordo assinado entre a Funai e a Norte Energia, em 2010, para fornecer compensações aos indígenas enquanto as medidas do Projeto Básico Ambiental (PRA), emaranhado de contrapartidas que vai de ações de desenvolvimento nas aldeias ao saneamento de Altamira, não estivessem prontas, mas que virou eufemismo para uma mesada de 30 mil reais paga aos índios por dois anos, até setembro de 2012.



O documento garante o ‘‘fortalecimento institucional” da Funai, a “promoção do etnodesenvolvimento” e a “proteção das terras indígenas”. A fundação receberia infraestrutura, e os índios, “sem prejuízo de sua identidade”, participariam de reuniões, sem “a necessidade de estarem na cidade”.



O auxílio ao órgão público foi temporário. 



As terras indígenas estão vulneráveis. E os índios, cada vez mais dependentes. Daí as lanchas seguirem rumo às aldeias com colchões, televisores c quinquilharias e voltarem para vendê-los por preços ínfimos. Como um escambo moderno, o processo “deslocou a atenção dos índios do questionamento sobre a barragem para o consumo”, diz Magalhães. As aldeias deixaram seus roçados e se acostumaram à dependência alimentar. Lideranças jovens passaram a criar aldeias de olho nos repasses. O resultado foi perda de identidade cultural. Epicentro da construção da mais ambiciosa obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Altamira, maior município brasileiro em extensão, virou um misto de balcão de negócios e ponto de peregrinação de índios em busca de demandas materiais. Em turnos, eles batem ponto no prédio da Funai, na sede do Ministério Público ou onde houver uma autoridade. Mas visitam, sobretudo, o número 1.482 da Avenida João Pessoa, à beira do Xingu, sede de um escritório da Norte Energia dedicado às “questões indígenas”. Nas paredes, fotos de índios. Nas cadeiras, índios sentados. São 30 atendimentos diários. A explicação é óbvia: o governo e o consórcio querem terminar a usina. Os índios, melhorar de vida. A Funai não tem estrutura para intermediar. Assim, as nebulosas negociações entre as partes seguem sua rotina.



“A gente fazia uma lista e entregava na Norte Energia. Aí buscava no escritório. Comida, combustível, motor”, diz José Carlos Arara, homem de expressão glacial e líder da aldeia Terrawagã. ‘‘Eles prometeram 27 casas, pista, antena de celular. Nada.” Para chegar a Altamira e exigir seus “direitos”, Arara leva seis horas de barco e dorme em uma rede na Casa do índio, improvisado albergue para as diversas etnias. Como ele, dezenas dividem os quartos da casa. Alguns gastam dias de barco e vêm para estadias de quase um mês, quando fazem o périplo de sempre: compram mantimentos, participam de reuniões e passam horas no escritório da empresa. “Acabou o tempo da gente. Neste ano, não plantei um pé de mandioca, Essa é a vida do índio hoje.”



São 4 da tarde na sede da Funai em Altamira. índios mais velhos fumam tabaco em compridos cachimbos, enquanto jovens conversam em suas línguas, e crianças fogem do tédio com risadas. Dentro, em uma sala com ar-condicionado, está Estella Libardi de Souza, a coordenadora regional da fundação. “O fortalecimento institucional nunca ocorreu”, frisa. A ideia do termo seria fortalecer a Funai para que esta pudesse fiscalizar e tentar reduzir o impacto da obra. “O consórcio doou cinco voadeiras e vários carros e bancou a contratação de mais de 20 funcionários”, diz. Mas, com o fim do prazo, os empregados foram desligados. “Voltamos à estaca zero. Temos oito carros e só um motorista. E nenhum condutor para as lanchas.” Algumas aldeias distantes não recebem visita há um ano. “O plano previa postos de vigilância, bases para fiscalizar as terras. Hoje temos um funcionário para dar conta de 6 milhões de hectares” O Parecer Técnico 21, de 2009, que alertava para o impacto sobre os índios, foi ignorado por todos. “Disputas internas alimentadas por esses recursos estão esfacelando as comunidades”, diz a coordenadora. “Para a empresa, é mais barato dar dinheiro aos caciques do que investir em projetos.”



A leitura das atas das reuniões entre lideranças indígenas e a Norte Energiaé autoexplicativa. Em uma delas, de 31 de outubro de 2012, dias após a invasão do sítio Pimental, quando mais de cem índios paralisaram as obras para exigir o cumprimento das contrapartidas, o tom é de um leilão. Inês Marques, funcionária da empresa, apresenta “o cronograma de entrega dos kits de informática e voadeiras tratado nas reuniões de 9 e 10 de julho” índios exigem veículos. “Se eles não forem entregues, voltaremos à obra!” A funcionária pede desculpas e mais tempo. Os índios reivindicam a reforma da estrada, técnicos para operar os computadores doados, uma pista de pouso. A empresa promete rediscutir os pedidos na próxima reunião.



A promotora Thais Santi aponta para uma pequena área amarela no mapa da região do Xingu, na parede de sua sala, no Ministério Público Federal de Altamira. “Essa aldeia nem sequer tem estrada. Mas ganharam uma Hilux da Norte Energia, no nome de um índio sem habilitação, que bateu o carro em um poste, com crianças dentro, no carnaval.” Ela balança a cabeça. :‘É um assistencia-íismo funesto que está acabando com a capacidade de reivindicação dos índios. Eles perderam a confiança na Funai e vão à empresa resolver as demandas. Quando não conseguem, invadem o canteiro ”



O Ministério Público investiga a situação patrimonial de algumas lideranças. Um índio chegou a sacar 100 mil reais na boca do caixa. Mas o que mais preocupa a promotora é um novo capítulo do processo, Aconselhadas por advogados, as comunidades criaram associações para gerir os recursos sozinhas e negociar diretamente com empresas a serviço da Norte Energia. ‘‘São milhões de reais nas mãos dos índios”, alerta a promotora. “Houve um prejuízo para os índios qLie não tem volta. Precisamos agora proibir qualquer contato direto da empresa com os indígenas” Em última instância, diz Thais Santi, a responsabilidade é do Estado. “O dinheiro para a obra vem de um banco público. A obra é federal. Mas o governo não fez seu papel ” Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e custará 29 bilhões de reais, dos quais 22,5 bilhões via BNDES. É o maior empréstimo de sua história.



Cerca de 5 mil índios de dez etnias e graus diversos de contato com os brancos povoam a região do Médio Xingu. Muitos só voltaram a constituir aldeias nos anos 1990, em um processo que começou com as incursões evangelizadoras no século XVII, seguiu com a invasão de seringueiros cem anos atrás e ganhou força com a Rodovia Transamazônica. Com Belo Monte, o último boom emergiu. Sua genealogia remonta aos anos 1970, quando a ditadura quis construir uma série de megalomaníacas hidrelétricas na região do Rio Xingu. Os estudos de viabilidade atravessaram os anos 1990, a Eletrobras aliou-se à Eletronorte e, em 2005, o Congresso autorizou o Executivo a erguer Belo Monte, em troca de contrapartidas ambientais. Isso antes de as consultas aos índios darem resultado, apontam alguns críticos. “O que deveria ter sido feito é a realização de consultas prévias e o respeito do governo aos direitos indígenas, em vez de jogá-los como reféns das empresas”, afirma o antropólogo Stephen Baines, da UnB.



Em 2007, o governo incluiu a obra no PAC e buscou derrubar na Justiça os impedimentos à licença ambiental. Queria evitar o desabastecimento em um país onde o consumo anual de energia crescia acima do PIB. Em 2009. o Ibama aceitou o EIA-RI-MA, o estudo de impacto. Para liberar a licença prévia, exigiu o cumprimento de 40 condicionantes. A licença foi dada em abril de 2010. E um consórcio formado por grandes empreiteiras, fundos de pensão e pela Eletrobras deu início às obras em 2011, embora parte das condicionantes esteja “em andamento”. A Norte Energia afirma que “a execução do PBA caminha na mesma velocidade das obras da usina”.



Especialistas em energia sustentam que, a despeito dos deslizes sociais, Belo Monte é uma obra importante para o desenvolvimento do País e uma opção ecologicamente mais defensável do que usinas térmicas a gás, óleo ou carvão. A hidrelétrica no Xingu terá capacidade instalada de 11.200 MW e energia assegurada de 4.600 M W médios. Foi projetada para não ter grandes reservatórios e funcionar a fio d’água, o que reduz o tamanho das áreas alagadas e o impacto ecológico, embora represente menor segurança de fornecimento: sem reservatório, não há como armazenar água para os períodos de seca. Uma vitória dos movimentos ambientais que não apaga a desastrada política de varejo com os índios.



Sob uma árvore à beira do Xingu, a poucos metros do escritório para “assuntos indígenas” da Norte Energia, três índios debatem. “Eles não vão enrolar a gente”, diz Cláudio Curuaia, da Associação dos índios Citadinos, que representa 200 moradores de áreas de risco a ser reassentados. Criada há pouco, a associação não entrou na partilha de benesses do consórcio. “Os índios das aldeias ganharam 21 picapes, lanchas com motor, computador e filmadora. E nós?” Curuaia aponta para uma Mitsubishi L200 em frente ao escritório. “Até o Léo arrumou carro no nome dele.”



Léo (Jair Xipaia) desce da caminhonete e senta em um boteco acompanhado de duas lideranças. Aos 26 anos, o líder da aldeia Cojomin é o mais presente nas reuniões com o consórcio. “Queremos só o que é nosso,” Ele vive na cidade, estuda Direito na faculdade, vai pouco à aldeia. “Quase perdi o cargo de cacique porque disseram que peguei o recurso e gastei. Rodrigo Valério de Souza, da aldeia Kwruatxe, teve menos sorte. “Perdi o cargo ontem.” A causa, diz, foram acusações incentivadas pelo consórcio. “Tinha coisas de que a gente precisava, gerador, lona, espingarda, então eu vendia o combustível e comprava. Daí foram falar mal de mim, eu não tava facilitando pra eles.” O colega interrompe. “A Nesa joga as pessoas umas contra as outras”, diz Kwazady Xipaia, 23 anos e expressão de ancião. “Se houve mau uso do recurso é porque não teve orientação. Teve aldeia que torrou os 30 mil em comida, o que ninguém diz é que essa lista foi só para calar o.s índios, Porque projetos de desenvolvimento, para dar autonomia, não teve. Nas visitas, os técnicos mostraram desenhos de engenhos, plantações. Nada aconteceu.”



Nas negociações sem registro formal, ocorridas no escritório da empresa e em visitas do consórcio diretamente nas aldeias, a tônica do processo c menos clara e mais eficaz, diz Marcelo Salazar, coordenador técnico do instituto Socioambiental (ISA). Salazar cruza as mãos e desfia a genealogia da negociação. “Ao perceber que os índios se organizavam, a empresa saiu distribuindo cesta básica.” Isso antes de o consórcio sair do papel. “Mas os índios ficaram espertos.” É quando teria entrado em ação a linha de frente da desagregação. Figuras ligadas a consultorias teriam sido contratadas para abordar as lideranças e debelar as demandas com dinheiro pequeno.



O nome que surge é Antenor Bastos. “Ele prometeu casas”, diz um cacique. “O Antenor vai dar pista”, diz outro. Juruna garante: “Ele vinha toda semana, dormia aqui. A lista de compras, eu levava direto pra ele”. Bastos, um senhor de seus 70 anos, foi “coordenador de assuntos indígenas” da Norte Energia até janeiro, quando “se afastou por problemas do coração” diz o assessor da empresa. “Ele dormia nas aldeias, comia com eles, era uma figura. Quando os índios invadiam, ligavam para o celular dele pra negociar. Ele entendia os índios. No lugar dele há agora um ex-funcionário da Funai.



Dias atrás, um suposto caso de espionagem tensionou ainda mais as relações. Segundo Antonia Melo, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, um funcionário do consórcio foi flagrado em uma reunião da entidade com uma câmera escondida. Ele teria gravado um vídeo no qual afirmou receber 5 mil reais por mês para acompanhar as reuniões e relatá-las aos dirigentes da empresa. O consórcio nega.



É no último andar do prédio de concreto branco de três pavimentos bem guardado por seguranças e altas grades, sede local da Norte Energia, que o diretor de assuntos institucionais da empresa, João Pimentel, 1,94 metro e voz firme, chega com fartes apertos de mão. Pede para o gravador ser desligado. E dispara: “Os índios já custaram quase 80 milhões de reais”. O assessor de imprensa corrige: “Foram 97 milhões”. Pimentel elenca os feitos da empresa: a casa de apoio aos Caiapós, engenhos de farinha, poços, carros doados às prefeituras, a reforma na escola. E a mesada?



Pimentel franze o cenho. “Havia certa expectativa. A maneira de dar uma acalmada neles foi o plano emergencial” O executivo lembra o bloqueio dos Jurunas ao canteiro. Os índios afirmavam que as obras haviam toldado as águas e atrapalhado a pesca ornamental. Exigiam respostas e dinheiro. “Essa pesca é biopirataria”, diz. “Mas, enfim, fomos lá. A água não estava turva, mas pagamos a compensação. Eles ficaram felizes” E as obras continuaram. “Nós não somos uma mãezona” diz. “E que todos acham que o índio deve viver num outro mundo. Você foi às aldeias? Viu as parabólicas? As casas? Eles querem isso tanto quanto a gente”.



Belo Monte enfrenta outras pressões. Há dias a Justiça Federal, a pedido do MPF, determinou que a Norte Energia pode ser multada em 500 mil reais por dia, se não comprovar a adoção das medidas compensatórias. Dias depois, o Ibama a notificou com base em um parecer que constatou pendências na execução dos programas ambientais. A empresa não concluiu o cadastro das famílias afetadas, não fez as obras de saneamento, não, reassentou as comunidades desapropriadas, diz o documento. Por outro lado, na segunda-feira 18. a Justiça do Pará expediu um interdito proibitório contra o Movimento dos Atingidos por Barragens e o Movimento Xingu Vivo. Pela decisão, as entidades ficam proibidas de fazer qualquer ação qne interfira na obra. Enquanto a briga cresce na Justiça, as obras seguem. A primeira turbina deve entrar em funcionamento em 2015.



Alheio a tudo, imerso no calor sufocante de uma tarde de sol no meio da roça de mandioca, o ex-cacique Manoel Junina, 70 anos, segura sua enxada e sorri. “Esses cabras não querem trabalhar. Aí vem essa gente, dá um dinheirinho e bota tudo pra brigar. Vê se eu brigo com alguém?” Na casa do ancião, a cem metros da roça. a família discorda. “Antes, a gente se reunia, irmãos de aldeias diferentes, pra decidir como se posicionar”, diz Eliete Juruna. “Aí eles começaram a fazer reuniões com as lideranças em separado. Foi a estratégia da Norte Energia, dar dinheiro aqui e ali. E agente caiu. Estamos nas mãos deles.” •



Há cerca de um ano os servidores da Polícia Federal de Altamira encaminharam um ofícío a chefia. Não seria possível viver na cidade se não fossem tomadas médicas urgentes. Ameaçavam até se exonerar. O documento, endossado pela associação do setor, chegou ao Ministério da Justiça e denunciava a”sitiação realmente crítica”. Não era de violência que reclamavam os funcionários, e sim do custo de vida. Apelidaca de “Angola Brasileira”, em referênca aos preços do país africano assolado pela doença do petróleo, Altamira sofre com Belo Monte.



Se antes da obra, até 2010, a cidade tinha 99 mil habitantes, hoje são 150 mil. Só nos canteros há 21 mil, de peões a executivos com suas camisas sociais e caminhonetes em fila nos restaurantes. Aqui não há taxímetro: entrar num táxi já custa 15 reais. Nos postos, a gasolina sai por 3.5 reais o litro (em São Paulo custa de 2.6 a 2.9 reais). Em um restaurante mediano, um prato morde 15 reais. Nos melhores, 80. Inflação é termo corrente. Todos têm um índice a dar. “Os alimentos subiram 200%”. diz o taxista a caminho do mercado. “Coisa de louco”. Mesmo.

“

Todos querem sair daqui. O custo de vida é irreal”, diz um agente da PF que pede anonimato. Quando o policial veio para Altamira, em 2010, alugou uma casa com dois quartos por mil reais.

“

Um ano depois, o cara me pediu 4.5 mil.” Ele vendeu sua casa em um condomínio fechado em Natal e comprou um terreno aqui por 60 mil reais, em uma rua de barro sem saneamento. Outros policiais vivem em uma república. Suas famílias não puderam vir por causa do custo de vida.



“Muitos proprietários deixaram suas casas para alugar. É o caos para alguns e uma mina de outro para outros”, contemporiza Artémis Cardoso, gerente de imobiliária. O aumentofoi de 200%. em média, diz. “Aqui é um paradoxo. A gente aluga casas de 5 mil em ruas de barro onde falta luz todo dia. Não falta gente atrás.” Uma loja de material de construção recém-aberta tem filas à porta. Ruas de barro “asgam adeiras com loteamentos de casas de três andares. No centro há sete farmácias em um quarteirão. Só em 2012 foram abertas 400 empresas na cidade, três vezes mais que em 2010.



Altamira é o paroxismo do Brasil que cresce sem infraestrutura. Não houve plano para preparar a cidade. As medidas compensatórias previstas pelo Ibarra. por entraves burocráticos, falta de kncw-how da prefeitura ou descaso do empresariado, em parte não saíram do papel. Não há água encanada nem saneamento básico. As poucas vias receberam asfalto, mas milhares de caminhonetes hoje dividem espaço com dezenas de ônibus vindos dos canteiros em engarrafamentos às 6 da tarde. Faltam escola e hospital. E falta luz - até na sede da Norte Erergia.



Atualmente, faltam até prostíbulos. Antes de Belo Monte, havia um só na região. Em dois anos, o número saltou para sete. com programas a 200 reais. Em 2013. após denúncia da presença de menores, todos fecharam. “Agora é só com agenciacor”. diz o taxista. “E tá mais caro. viu?”teamentos de casas de três andares. No centro há sete farmácias em um quarteirão.

Belo Monte consortium prohibits demonstrations

Tuesday, April 2nd, 2013

By MAB

The companies Norte Energia and Belo Monte Constructions succeeded in the Pará State Court to issue an interdiction against the Movement of People Affected by Dams (MAB) and the Movement Xingu Forever Alive (MXVPS). The movements are prohibited from organising any action that would interfere in the process of the construction of the dam. If they ignore, they will be fined 50,000 BRL a day.

The action was organized by the companies of the Belo Monte dam consortium and slavishly accepted by a judge of the 4th Civil Court of the District of Altamira. The judge issued a “Interdito Proibitório” (prohibited interdiction) and as such criminalized the work of the movements who defend the rights of the affected populations.

The decision was issued one day before a meeting to be held in the Bulamarque School of Miranda about 30 km from the main construction area. The event gathered more than 500 people affected by the Belo Monte dam, organized by MAB, who sought to claim their rights and the action of the judge was clearly an attempt to inhibit any attempt to rally those affected.

MAB remembered the companies, government and judiciary, the report approved by the Council of Defense of Human Rights of the Secretariat for Human Rights of the Federal Government, that indicates the existence of a practice and a consistent pattern of human rights violations in dam construction in Brazil.

More than 40 thousand people are being affected by the Belo Monte Hydroelectric Dam and yet little or nothing was done, even after the 22.5 billion BRL loan - of public money - that the National Bank for Economic and Social Development (BNDES) released for the construction.

MAB repudiates the position of the judiciary in favor of the human rights violators, without wanting to listen to those affected by the dam.

MAB affirms that the struggle of the affected populations is a fair reaction against the aggression of the construction companies, and while there is injustice, the people’s struggle is legitimate and will continue, even though this is against the interests of the powerful.

INDIGENOUS SEMI-NOMADIC HIMBA AMD ZEMBA PROTEST AGAIN AGAINST PLANNED DAM CONSTRUCTION AND HUMAN RIGHTS VIOLATIONS

Saturday, March 23rd, 2013

By Rebecca Sommer

EARTH PEOPLES - NAMIBIA 23 March, 2013: Growing numbers of semi-nomadic Himba and Zemba people are gathering in Opuwo town in the heart of Himba territory for their third Protest in 2013. The protest will start Monday morning.

Indigenous Himba protest against dam and human rights violations, 2013 (Photo © Earth Peoples)

Indigenous Himba protest against dam and human rights violations, 2013 (Photo © Earth Peoples)

The young and old are arriving by foot, in overloaded trucks and on donkey’s from all four directions of Kaokoland (Kunene region), despite prevailing drought conditions due to Climate Change, and their growingly frantic search for grazing and water for their livestock.

Each Himba and Zemba community has sent members which they could spare, while those staying behind will tend to the needs of their goats, sheep and cattle that are increasingly weakened by the drought, upon which the Himba and Zemba depend for their very survival.

The drought has caused already enormous damage for the self-sufficient semi-nomads, with nearly no rain they could not make gardens, thus they have no harvest of maize and other nutritional crops.

The indigenous peoples in the Kunene Region are already calling on government to subsidize fodder for their livestock, and to look into improving the distribution of drought relief food. The community made formal requests to the chairperson of the Kunene Regional Council’s Management Committee, Dudu Murorua, at Opuwo.

Indigenous Zemba protest 2013 in Namibia (Photo © Earth Peoples)

Indigenous Zemba protest 2013 in Namibia (Photo © Earth Peoples)

But as much as they fear for their livestock and to face soon hunger and thirst, they are also hungry and thirsty for something else: Their human rights. They want to see changes, and they want to be heard by the majority tribe that leads the Government of Namibia. They want to have the right and means to maintain their culture, way of life, language, religion, traditional governance structure and so much more.

The protest is about their continuous human rights grievances, which made headlines in Namibia and the world after being published for the first time in form of two Declarations signed by all the traditional Himba chiefs at the beginning of last year.

On behalf of the Himba and Zemba,  Earth Peoples submitted both Declarations to the United Nations system. Our dear colleagues from Namrights submitted the Declarations to the African Union.

Read: DECLARATION OF THE DIRECTLY AFFECTED OVAHIMBA, OVATWA, OVATJIMBA AND OVAZEMBA AGAINST THE OROKAWE DAM IN THE BAYNES MOUNTAINS (Neckartal Dam project)

Read: DECLARATION OF THE TRADITIONAL HIMBA LEADERS OF KAOKOLAND IN NAMIBIA

Months later, the United Nations Special Rapporteur visited the Himba and Zemba and met them in Opuwo, were Himba read their Declaration and handed him a copy in person.

The UN Special Rapportuer Anaya confirmed in his Statement the human rights violations that the Himba people are facing, which can be read here.

The Himba will draft and sign two additional letters. One will be addressed to the President of Namibia, and the other handed to the Governor of Opuwo on Monday. Both Declarations will be submitted once again to both of them.

“They got our Declarations, the responsible including the President are aware about our situation. But nothing has been done, we continue to be ignored” said community leader D. Muharukua from Opuwo.

Additionally, the Himba are furious about a 22-page report that was handed to three of their representatives that had traveled to Windhoek to seek information and clarification on the proposed hydroelectric dam (Neckartal Dam project) in the Baynes Mountains.

Namibia and Angola are planning to finance and build the Orokawe dam jointly.

Zemba women at human rights protest in Opuwo, Namibia, 2013 (Photo © Earth Peoples)

Himba women at human rights protest in Opuwo, Namibia, 2013 (Photo © Earth Peoples)

“The report falsely states that we Himba have the door open for further negotiations, and that forced resettlement could be therefore avoided” said Mutambo, a leader from the Himba community Omuhonga who was at the meeting in Windhoek. “We are outraged, we said over and over no, and we mean it. There is no negotiation from our side, and there is no consultation, because they do not hear us when we say no. That’s why we protest Monday again, to show our collective objection to the planned Neckartal Dam construction once again. We rather die and throw us into the River, before we allow the destruction and invasion of our land. We explained all that in our Declaration ” He added. (http://earthpeoples.org/blog/?p=1070)

The Himba will also discuss this weekend the idea to propose Solar systems as an alternative to the dam. They plan a trip to Tsumkwe so that they can see a large off-grid system. The Himba Elders and chiefs will also choose about 10 bright young men and women that speak english and can read and write, to learn more about Solar systems these coming weeks.

Earth Peoples Videos by Sommerfilm)

Earth Peoples Videos by Sommerfilms

To hear about Himba’s human rights problems,

click here to WATCH VIDEOS

+++++++++++++++++ PRO AND CONTRA :

Orokawe dam in the Baynes Mountains:

• Will cost a minimum of 22bn N$ if not more

• Will need a complete overhauled stronger power line from the dam site to Omburo

• Will have a surface of 5900ha which evaporates 590000 tones of water per day which is in the region of 20% from the low-season run-off

• Will take minimum 10 years to come online

• Will need a lengthy power contract to be signed with Angola

• Will need to share the power 50/50 with Angola

• Will only be a peaking station because not enough water to run the 600MW turbines 24/7 (Only 1.7 TWh energy for the year vs. 5.0 TWh (if water would be enough)

• Will again not be Namibia’s own power because of the sharing

• Will again mean an investment that puts all eggs in one basket relying on the Kunene

• Will cause forced resettlement

• Will destroy special safety areas for indigenous peoples livestock at drought

• Will destroy sacred sites of indigenous peoples

• Will destroy special medicine plant areas of the Himba and Ovazemba

• Will damage the River

• Would make no sense in a country were Water is so rare

• Will damage fish stock

• Will cause enormous environmental impact

• Will cause large destruction of nature by building road construction grids

• Will violate human rights, UNDRIP, FPIC, ILO Nr 169

• Will harm tourism long-term

Solar Energy

• Take up only 900 ha for the same output (1.7 TWh per year)

• Cost 15 bn without storage for the same output (without storage)

• Storage for Solar becomes more and more available with new technologies and would cost together with solar roughly then the same as Baines

• Solar could be built where the need for power is and not in the most remote corner of the country with all the losses involved

• Solar could start right now and would be built as appropriate installments; no need to pre-finance in one go!!

• Solar would really be NAM’s own indigenous energy solution

• Solar investments will attract all the money in the world, hydro investments for Kaoko will not.

• Solar would means appropriate power for the Himba’s own use for energy and water pumping etc.

• Solar will give the people modern energy AND much more time to adapt!

• Would make Namibia stand out for it’s green, environmental and human rights friendly energy approach

• Would make sense in such a hot, sunny country

• Would get more funds from international sources to implement green energy as well as for Climate Change adaptation and mitigation measures

• Would be longer lasting, as Climate Reports estimate the increasing reduction of waters in Kunene

• Solar would be supported by the worlds’ tourists, the public is aware about the damages of dams

• Could be negotiated with the Himba people, and places for grids could be agreed upon

• Solar would be good for the Climate, Namibia’s Nature, Cunene River, and good for Namibia’s people

What the hydro people at NamPower and the Governments have not yet fully acknowledged: Solar Panels only cost 25% of what they were in 1995 during the Epupa Dam Debate

HEUTE! KUNDGEBUNG zum Weltwassertag: Berlin-Brandenburger Tor

Thursday, March 21st, 2013

AktivistInnen vom Berliner Wassertisch und anderen Bürgerinitiativen und NGOs, Gewerkschaften, Menschen aus Berlin und anderen Teilen der Erde - kommen an diesem Tag zusammen, um unserer großen Besorgnis über den Umgang mit Wasser durch Politik und Wirtschaft zum Ausdruck zu bringen.

- Unser Lebensmittel Nr.1 soll eine Ware werden, wie jede beliebige Ware auch.
- Das Menschenrecht auf Wasser wurde in der UN nach jahrelangem Kampf endlich verankert, und dennoch planen die EU- Institutionen Richtlinien, die der
Privatisierung des Wassers neue Türen öffnen, ein Resultat erfolgreicher Lobbyarbeit der Wasserkonzerne, vorne weg Veolia und Suez.
- In Ländern, die besonders schwer unter der Krise leiden, wie Griechenland oder Portugal, wird der Verkauf ihrer Wasserwerke als Weg aus der Krise propagiert, Frau Merkel und Herr Schäuble sind dabei die treibenden Kräfte.
- Der Mangel an sauberem Trinkwasser wird von der Flaschenindustrie schamlos ausgenutzt, so dass gerade die Ärmsten das Wasser am teuersten bezahlen müssen. Da sich viele das nicht leisten können, stirbt alle 20 Sekunden ein Kind an den Folgen von verschmutztem Wasser und mangelnder Hygiene. Das sind 3000 Kinder jeden Tag!
- Staudämme werden weiter vorangetrieben, auch gegen den Willen der örtlichen Bevölkerung und trotz ihrer oft verheerenden ökologischen, sozialen und kulturellen Auswirkungen
- Noch immer wird eine Agroindustrie gefördert, die nicht nur enorme Wassermassen verschlingt, sondern im wahrsten Sinn des Wortes den einheimischen Kleinbauern
das Wasser abgräbt.

Gegen all das organisiert sich weltweiter Widerstand!!!

Nicht zufällig haben in Deutschland bereits über 1 Million BürgerInnen das europäische Bürgerbegehren“ Wasser ist Menschenrecht“ unterzeichnet. Wir wollen den Weltwassertag nutzen, um unsere nächsten Schritte vorzustellen und vielen Mut machen, sich mit uns zusammen einzumischen. Zwischen den statements unterhaltsame Musik- und Tanzeinlagen.

Zugesagte MitstreiterInnen:
Berliner Wassertisch, Mathias Ladstädter (Ver.di), Christa Hecht (AöW, Allianz öffentliche Wasserwirtschaft), Susanne Jacoby (Campact), Grüne Liga, attac Berlin, GiB(Gemeingut in BürgerInnnenhand), Initiative gegen den Staudamm von Belo Monte (Brasilien),
GegenStrömung (u.a.gegen Staudämme in der Türkei), Frauen für den Frieden, Forum Umwelt und Entwicklung, Earth Peoples (globales Netzwerk: indigenous Peoples - Human Rights and Mother Earth Rights), ASW (Aktionsgemeinschaft solidarische Welt) und der Unterstützerkreis des europäischen Bürgerbegehrens „Wasser ist Menschenrecht“ (www.right2water.eu/de)

Für den Berliner Wassertisch:
Dorothea Härlin: dorotheahaerlin@gmx.de
Gerlinde Schermer: schermer@berlin.de

Índios e ribeirinhos fazem nova ocupação de canteiro de obra de Belo Monte

Thursday, March 21st, 2013

Xingu Vivo Para Sempre

Cerca de 150 pessoas, entre ribeirinhos e indígenas Juruna, Xypaia, Kuruaia e Canela, ocuparam o canteiro de obras de Pimental, um do quatro de Belo Monte, na madrugada desta quinta, 21.
A ação começou as 4 h da manhã com o trancamento da estrada de acesso ao canteiro, mas um veículo, que conseguiu furar o bloqueio, acionou a Força Nacional de Segurança, que se deslocou para o local e tentou impedir a entrada dos manifestantes na área da obra, exigindo que fosse destacado um porta-voz para negociar as reivindicações. Como não houve acordo quanto a esta demanda, o grupo todo resolveu entrar no canteiro e seguiu até os alojamentos, solicitando que os trabalhadores deixassem as instalações.

Segundo representantes dos manifestantes, muitos operários apoiaram a ação e afirmaram que o sistema de trabalho se assemelha ao de uma prisão, mas a confusão é grande porque eles não sabem para onde ir.

O grupo de manifestantes está dividido entre a comunidade do Jericoá oito famílias de índios Xypaia, Kuruaia e Canela), que nunca recebeu nenhum atendimento da Funai e da Norte Energia, índios Juruna da aldeia Muratu, na Terra Indígena Paquiçamba, e ribeirinhos e colonos da comunidade do KM 45. Estes últimos dizem viver uma situação de grande insegurança, uma vez que o Consórcio Norte Energia teria dito a eles que não serão removidos, ao mesmo tempo que afirmaram aos índios Juruna que a terra pertence a eles. O medo é que esta situação crie um conflito entre indígenas e colonos.

Até o momento, as principais reivindicações dos manifestantes se referem às condições da comunidade de Jericoá, que já não consegue mais pescar, recebeu apenas uma parcela das compensações indígenas (a área onde vivem não tem demarcação), não tem água potável (poços artesianos), e seus barcos não suportam o sistema de transposição montado no barramento do Xibgu na altura do Pimental (são muito frágeis e quase ocorreu um grave acidente na última semana). Na última semana, a comunidade procurou a Funai para demandar assistência, mas, de acordo com os manifestantes, foram seguidamente “enrolados” e não obtiveram nenhuma resposta.

Já os colonos do KM 45 querem uma definição sobre a situação fundiária de suas terras, além de energia elétrica, que ainda não chegou às suas casas.

De acordo com os manifestantes, é possível que outros grupos indígenas se juntem aos protestos no decorrer do dia. As obras do canteiro de Pimental estão paralisadas.

MPF vai apurar denúncia de espionagem contra o Consórcio Construtor de Belo Monte O Movimento Xingu Vivo para Sempre enviou representação pedindo elucidação dos fatos

Tuesday, February 26th, 2013

Ministério Público Federal no Pará

MPF vai apurar denúncia de espionagem contra o Consórcio Construtor de Belo Monte
O Movimento Xingu Vivo para Sempre enviou representação pedindo elucidação dos fatos

O Ministério Público Federal recebeu hoje uma representação do Movimento Xingu Vivo para Sempre informando a descoberta de um agente contratado pelo Consórcio Construtor de Belo Monte que atuava infiltrado no movimento, gravando reuniões, fotografando pessoas e repassando informações para a empresa. A representação deu origem a um procedimento de apuração que será conduzido pela unidade do MPF em Altamira.

A descoberta foi feita durante reunião de planejamento do movimento em Altamira, no último final de semana, quando o funcionário gravava, com uma caneta espiã, tudo que se falava no recinto. De acordo com a representação, assinada pelo advogado do Xingu Vivo, Marco Apolo Santana Leão e pela liderança do movimento Antônia Melo da Silva, depois de flagrado, o próprio funcionário se dispôs a gravar em vídeo um depoimento sobre a natureza de seu trabalho para o Consórcio Belo Monte.

“Num impressionante relato, revelou um esquema de espionagem que chega a ser inacreditável em pleno estado democrático de direito”, diz o pedido de investigação. Ele disse ter sido contatado pela equipe de segurança do Consórcio com uma proposta de receber R$ 3 mil por mês para repassar informações sobre o Xingu Vivo. Negociou e aceitou fazer a espionagem por R$ 5 mil.

Ele disse que estava desempregado, nunca tinha visto tanto dinheiro e por isso aceitou a proposta. Um dos principais alvos seria Antônia Melo, uma das coordenadoras do Xingu Vivo para Sempre e a quem ele conhece pessoalmente desde a infância, por ser morador antigo de Altamira. De acordo com o depoimento em vídeo, ele repassaria tudo que descobrisse para o Consórcio mas, nos próximos dias, uma pessoa da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) iria até Altamira para ver as informações.

Ainda de acordo com o depoimento gravado, era esperado do funcionário que espionasse também os trabalhadores nos canteiros de obras de Belo Monte, para descobrir e apontar possíveis lideranças que buscassem melhorias para os trabalhadores. Ficou nos alojamentos dos operários, fez o mapeamento das lideranças, informou ao Consórcio, que demitiu cerca de 80 trabalhadores graças a essas informações.

“Estes lamentáveis fatos ocorrem em plena democracia num momento em que o Brasil se arvora internacionalmente como defensor de liberdades e signatário de diversos pactos e convenções de direitos humanos. Daí nossa indignação com esses desmandos, que não são cometidos apenas pela CCBM, mas também por uma agência de informações da Presidência da República”, diz a representação.

A representação informa o temor pela segurança dos integrantes do Xingu Vivo e pede ainda providências para a proteção do próprio funcionário. “O agente do Consórcio passa a ser uma testemunha das ilegalidades perpetradas pela empresa, nesse sentido, conforme consta em uma de suas declarações em vídeo, o mesmo se sente ameaçado pela empresa e seu serviço de segurança”, diz o documento.

A investigação do MPF sobre as denúncias será conduzida pela procuradora da República Meliza Alves Barbosa

O vídeo com o depoimento do funcionário está disponível na internet.

Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação
(91) 3299-0148 / 3299-0177
ascom@prpa.mpf.gov.br
http://twitter.com/MPF_PA
http://www.facebook.com/MPFPara

Canadian Belo Sun Mining Project in Brazilian Amazon (BELO MONTE dam area) rejected by Federal Public Ministry (MPF)

Wednesday, February 13th, 2013

By Rebecca Sommer

Last week, Brazil’s Federal Public Ministry (MPF) made yet another legal move, this time with the request to halt the Canadian mining company Belo Sun to mine gold downstream of the Belo Monte dam construction site - about 10 kilometers away from indigenous territory.

The Federal Public Ministry has tried every angle over the years to stop the mega-dam,  that if completed would divert about 80 percent of the Xingu River’s flow into an artificial canal to generate electricity. Controversially, the dam will flood tens of thousands of hectares of rainforest and displace thousands of residents.

Volta Grande project, the Belo Sun company’s primary focus, is a mega exploration project for open pit and underground gold mining. The Canadian company announced in 2012, that preliminary metallurgical work indicated that the Xingu River’s Volta Grande mineralization would be “amenable to conventional processing methods, with gold recoveries of up to 95% in bottle roll tests”.

The MPF filed a petition at the environmental agency SEMA at state Pará to withhold the environmental licenses for the mine arguing that Belo Sun had not consulted the surrounding indigenous communities, and had not provided adequate impact studies on the socio-environmental impact that would be caused by the mining project.

Hopefully the federal judges will rule in favour of the federal ministry’s complaint.

Belo Sun’s planned ” Volta Grande Project” is located approximately 60 kilometers downstream of the town of Altamira in the Big Bend of the Xingu River, in mining interested circles well known as an artisanal gold mining area.

Gold mining settlement Ilha da Fazenda, Volta Grande - Xingu River (Photo © Rebecca Sommer)

Gold mining settlement Ilha da Fazenda, Volta Grande - Xingu River (Photo © Rebecca Sommer)

The indigenous populations, Arara, Juruna and Kayapo Xikrin that reside in that area are surrounded by white men’s settlements for decades, that have been established there for one purpose. Gold. The garimpeiros (artisanal miners) are using for decades open pit and underground mining methods with several shafts of 80 to 200 meters along high-grade veins.

The geological setting (Tres Palmeiras greenstone belt) at Belo Sun’s project area is part of the same sequences present in the Carajas area , in mining circles so called “World Class” mineral province.

Widespread gold mineralization was already identified in the 1990s by past operators TVX Gold (now part of Kinross) and Battle Mountain Exploration (now part of Newmont). Combined, their efforts included more than 27,000 meters of combined core, auger, and reverse circulation drilling and several thousand channel and soil samples.

With the mega Belo Monte Dam project moving forward, recourse extraction companies have turned their eyes to the area with renewed focus again and applied for licenses that would give them the right to study, research and mine not only gold, copper, phosphor and many other minerals - especially at the Belo Monte Dam site - but also within indigenous territory (Indigenous reservations)

In 2010, researcher and colleague Telma Monteiro made me aware about maps from the Brazilian Ministry of Mines and Energy, that showed the mining licensing process within the proposed Belo Monte hydro electric dam area. The entire area was targeted by mining interests. One of the mining companies that seemed to be in the forefront was Belo Sun, which had launched a large diamond drill program in mid 2010 in order to move the Volta Grande Project, with the aim of expanding it. (In October 2012, Belo Sun had drilled up to 193,000 metros)

Araweté woman upstream of Belo Monte dam at Xingu River (Photo © Rebecca Sommer)

Araweté woman upstream of Belo Monte dam at Xingu River (Photo © Rebecca Sommer)

I was alarmed and in disbelieve when I saw on the maps a grid work of numbers in indigenous reservations (TI). Each number was an application for a license - a license to study, to research, or the final license to extract and explore minerals, because the two prior steps had already been approved by the Ministry for Mining and Energy, and concluded by the companies.

I doubted that this was done with the consent and knowledge of the indigenous peoples, and reached out to all of the indigenous communities to inform them about the situation, and to find out if they knew about it. I also informed the local FUNAI and mailed them the evidence.

The indigenous community leaders informed me that they had no idea that mining companies had done research and studies on their indigenous territory, nor that the Ministry of Mines and Energy had approved such actions by giving these companies the licenses for it.
In other words, the indigenous communities had no Free, Prior and Informed Consent (FPIC) in that matter, and were not consulted. An enormous violation of international and national human rights standards. Sadly, Brazil is paving the way to dismantle national law with the goal to open up indigenous territory for any development processes one can possibly imagine - and further violating international agreements, such as the UN Declaration on the Rights of Indigenous Peoples (UNDRIP).

Dinela Arara and her pet forest pig taking a bath in the Xingu River (Photo © Rebecca Sommer)

Dinela Arara and her pet forest pig taking a bath in the Xingu River (Photo © Rebecca Sommer)

Consequently, Telma and I filed after the clear response of the Indigenous in 2010 the evidence and a complaint procedure at the Federal Public Ministry (MPF). We included the alarming situation, that groups of indigenous peoples that are in voluntary isolation live even closer to the area of the planned dam site (and planned mining projects) than the indigenous peoples Arara, Juruna and Xikrin that have land set aside for them in form of legally recognized indigenous reservations. I also submitted to the MPF some videos that I had recorded to provide eyewitness accounts and evidence from indigenous peoples about the whereabouts of the groups living in voluntary isolation and that are hiding and running from any contact. (Videos can be seen on sommerfilms youtube channel)

Belo Sun currently controls the mining and exploration rights over an area covering 130,541 hectares(1,305 sq. km) of the area known for artisanal gold mining.

The shear-hosted resource at Volta Grande is contained in three main areas (Ouro Verde and Grota Seca at the North Block and the South Block), all of them already developed by small-scale artisanal mining. Within these areas, there are many narrow zones of high-grade gold mineralization, open along strike and at depth, in the view of the mining company ” with excellent potential for expansion”. There is also, so the company say’s “potential for the discovery of additional mineralized zones within the large alteration envelope in the host intrusive which has been traced for more than three kilometers along strike”. Two types of gold mineralization are present: primary gold in intrusive rocks and secondary gold in an extensive saprolitic zone overlying the primary mineralization.

Belo Sun’s gold-resource estimate is currently still limited to a vertical depth of approximately 350m and restricted to 5 km strike length from Ouro Verde and Grota Seca deposits as well as a minor portion at the Bloco Sul target. But that is in my view only the beginning of a much larger exploitation plan, because several sections of the Tres Palmeiras greenstone belt have significant intercepts below 350m that are indicating that much more gold of higher grade could be developed further bow by underground mining. In addition, there are indications from soil and rock geochemistry anomalies that the mineralization extends to the North/West and East. A diamond drilling program by Belo Sun was in progress to test this possibility, it remains to be seen if this will be now halted by the action of the MPF, and if at all, for how long!

Waterfall, Volta Grande, Rio Xingu (Photo © Rebecca Sommer)

Waterfall, Volta Grande, Rio Xingu (Photo © Rebecca Sommer)

I travelled many times the waters of the Xingu River, starting from it’s birthplace up to the area of Belo Sun’s project. I stayed with the indigenous communities that are already facing this monster hydro electric dam Belo Monte. Together with them, I swam in the Volta Grande, and drank the River’s water. Ate the fish that the River provides, and slept on it’s shores, surrounded by the forest and millions of animals that want to live and survive as well.

Brazil is saying that foreigners should stay out of the countries “business”. Sure…but, No. We won’t. We stand in solidarity with other fellow humans that are struggling to combat the dead road towards “development and economical growth- no matter what the price”, because we know that we are all part of this Earth and we are all connected - no matter what artificial state border we are from, or in what kind of environment we were raised and born, we belong to our Earth. And we want to keep our home, and preserve it for the future generations of all living beings. We simply can’t do that if the destruction continues.

The Xingu River, the forest, animals and people are part of a much larger grid work, not the grid work of numbers for mining licenses or for hydroelectric dams , but connected by water that flows like veins through every part of the world, over ground or under ground.

It is a crime against all live to block and alter a river’s natural flow, or to pollute the water, in the case of Belo Sun for the purpose to extract gold. What is gold, but an illusion that it has a certain value that determines, creates or protect’s wealth.

We all know the argument that true wealth is to have a place to live, peace, health, friends, family, community, food and water.
That’s what most people living in the area of the Belo Monte dam under construction, and Belo Sun’s proposed mining project still have right now. Let’s keep it that way.

Port of Altamira town, at Volta Grande, Rio Xingu (Photo © Rebecca Sommer)

Port of Altamira town, at Volta Grande, Rio Xingu (Photo © Rebecca Sommer)

Long Live the Xingu River!