Povos Indígenas ressurgidos: I Encontro Amazônico dos Povos Indígenas Resistentes

August 24th, 2014 by EARTH PEOPLES

Lindomar Padilha

Povos Indígenas ressurgidos: I Encontro Amazônico dos Povos Indígenas Resistentes

Nós povos indígenas Mura, Munduruku, Munduruku-Cara-Preta, Tupinambá, Kambeba, Cumaruara, Arapium, Maitapu, Kayabi, Chiquitano, Migueleno, Xavante, Macuxi, Apolima-arara, Nawa, Kujubim, Wayoro, Guarasugwe, Tucano, Tupaiu e Purubora, de regiões dos Estados do Acre, Amazonas, Pará, Roraima, Mato Grosso e Rondônia, em luta pelo reconhecimento étnico e territorial, reunidos no I Encontro Amazônico dos Povos Indígenas Resistentes, nos dias 08 a 10 de agosto de 2014 no Centro de Formação Xare, localizado no km 906 da BR 174, no município de Manaus/AM, partilhamos nossas lutas, conquistas e desafios e nos defrontamos com a realidade de desrespeito e ameaça aos nossos direitos.

Solicitamos que o direito ao autoreconhecimento étnico seja respeitado como critério fundamental para o reconhecimento da identidade indígena, conforme recomenda a Convenção 169 da OIT. Assim, não podemos depender de laudos antropológicos nem registros administrativos para podermos usufruir e ter acesso aos direitos garantidos aos povos indígenas.

Ainda, requeremos que a União Federal dê condições técnicas e financeiras a FUNAI para que inicie e/ou dê continuidade aos procedimentos de demarcação dos nossos territórios indígenas já reivindicados.

Em virtude da demora da União Federal em concluir os procedimentos de reconhecimento dos nossos territórios tradicionais, somos vítimas de invasores interessados em usurpar nossas riquezas naturais. Estas invasões permanentes geram insegurança a nossas comunidades e, muitas vezes, lideranças são ameaçadas de morte quando lutam pela efetivação de nossos direitos territoriais.  Pedimos que a União Federal cumpra com o seu dever constitucional de proteção das Terras Indígenas, fiscalizando as áreas, para coibir a entrada de invasores em nossos territórios;

Há ainda a realidade de povos que foram expulsos de seus territórios tradicionais e hoje buscam sua reorganização e lutam pela retomada de seus territórios.

Exigimos que seja respeitado o direito a consulta livre, prévia e informada em relação às medidas administrativas e legislativas que nos afetem diretamente, bem como a participação das comunidades indígenas em todas as instâncias de decisão que envolvam estes procedimentos, como as pesquisas e lavras de minérios, prospecções de petróleo, mercado de créditos de carbono, projetos de infraestrutura, projetos de lei, propostas de emenda à Constituição e outros.

Em razão da falta de reconhecimento étnico e territorial, muitas vezes, dificulta-se e limita-se e até mesmo nega-se o acesso aos direitos a educação e a saúde diferenciada, que respeitem os usos, costumes e tradições de cada povo. Para isso é fundamental:

O reconhecimento e a construção de escolas indígenas em nossas comunidades, que considerem a participação da comunidade indígena na definição do modelo de organização e gestão. É necessária a contratação e formação de professores indígenas, bem como o incentivo técnico e financeiro para produção de materiais didáticos a partir da realidade histórica, social e cultural de cada povo.

A inclusão de todas as nossas comunidades indígenas no sistema de atendimento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) com as necessárias garantias de infraestrutura, recursos humanos, equipamentos, bem como o reconhecimento e a valorização de nossa medicina tradicional.

Somos povos resistentes. Lutaremos sempre, não desistiremos nunca!

 

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Bravos Índios Livres: sobre os povos isolados do Envira

August 24th, 2014 by EARTH PEOPLES

O barulho do batelão reverbera no interior da floresta. Sobre o teto do barco, no horizonte de pálpebras cerradas pelo sol do meio-dia, a zoada mais parece uma revoada de pássaros com asas de ferro invisíveis.

A estridência metálica, dentro da mata, espanta araras, macacos e demais bichos no sincopado tu-tu-tu-tu do motor, som reconhecido pelos indígenas em situação voluntária de isolamento na Amazônia como sinal aliterado da sociedade que os envolve. É inverno nesta porção extrema do país.As águas correm abundantes e a embarcação singra, sem muitos percalços, as entrelinhas da lâmina de água, lidas atentamente pelo barqueiro que desvia de troncos, na maioria das vezes submersos, e evita trechos mais rasos ou de intenso rebojo. No verão o rio seca e apenas cascos pequenos conseguem passagem entre as praias naturais, cujas areias oferecem aos isolados ovos de tracajá. O calor e a umidade perpassam as estações, assim como os piuns e carapanãs. O batelão navega contra a corrente vazante, e sete dias depois da saída do porto movediço de Feijó (AC) chegamos à Terra Indígena Kampa/Isolados, demarcada no paralelo 10°S, Alto Rio Envira, já na fronteira do Brasil com o Peru, onde as águas tingidas pelos sedimentos e barro passam a dar vida ao Rio Xinane. Esse vasto mundo se reduz, a cada dia, para os isolados, ainda que tenha o mesmo tamanho.

A região é uma das últimas no mundo a ter grupos de povos livres. Com a Constituição de 1988 e mais protegidos pelas demarcações, todavia vulneráveis às invasões dos territórios, eles conseguiram resistir aos massacres e dobraram suas populações nas últimas décadas. Exercem o pleno direito de resistência às vontades integracionistas da “civilização” e preservam suas próprias instituições sob a memória de uma vida de correrias. Chamadas na região de bravos, essas populações se negam ao contato com as sociedades que as envolvem – sejam as indígenas ou mesmo as ribeirinhas, cujas origens naquelas matas estão em famílias de seringueiros instaladas por ali desde o final do século XIX e decorrer do XX pelas frentes de colonização. Os ashaninka, tal como eles se autodenominam, dividem a Terra Indígena Kampa/Isolados com os bravos e os chamam de maxiriantsé, os valentes. A semântica oferece outro significado para o aparente tom pejorativo da palavra bravo, mas delimita a complexa noção de alteridade presente entre essas nações e seus convívios autodeterminados. No entanto, em terras onde grupos indígenas insistem contra a capitulação de suas formas livres de vida e outros lutam diariamente pela sobrevivência em interface com a sociedade branca, ser bravo, no sentido dado pela língua ashaninka, tornou-se um traço marcante entre esses povos. As relações culturais críticas dessas experiências, no reforço das alteridades tanto dos isolados como dos demais povos, geram um dos contextos mais complexos entre isolados e índios contatados do Brasil.

Entre o final de junho e durante todo o mês de julho essa história ganhou mais um episódio. Um grupo de indígenas livres causou alvoroço ao entrar na aldeia Simpatia, onde vivem os últimos ashaninka antes da fronteira com o Peru. Durante o primeiro semestre deste ano, os ashaninka relataram acontecimentos similares, todos encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF) e à Fundação Nacional do Índio (Funai) pelos indígenas por intermédio do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Não se trata, portanto, de um contato inédito. Dessa vez, porém, a Funai decidiu agir e montou na aldeia, em parceria com o governo do Acre, a Operação Simpatia. Os indígenas ficaram impedidos de sair da comunidade. No dia 26 de junho, servidores do órgão indigenista e os ashaninka estabeleceram novo contato com alguns desses livres que, conforme a equipe de sertanistas, estavam com gripe. A Funai divulgou foto com três deles. Durante o tratamento realizado por profissionais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), os indigenistas identificaram que esses livres falam um idioma do tronco linguístico pano, o mesmo de outros povos do Acre e Peru. Os isolados então puderam ser entendidos, de forma precária, sobre os ataques que vêm sofrendo, possivelmente de madeireiros e narcotraficantes peruanos. Em seguida voltaram para o interior da floresta no caminho das malocas de seu povo. Desativada há pouco mais de três anos, a Base do Xinane da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira retomará os trabalhos.

Frente da borracha… Frente Etnoambiental

Na Terra Indígena Kampa/Isolados está instalada também a Base do Xinane, a três horas de barco da aldeia Simpatia no rumo da fronteira com o Peru. A estrutura foi abandonada depois de ataque de narcotraficantes, em junho de 2011.1 Antes, porém, de entender essa história que impactou a vida tanto dos ashaninka quanto dos bravos nos últimos anos, além do povo madja, também presente naquelas terras, precisamos fazer uma retrospectiva que remonta a cerca de cem anos atrás. No início do século XX, sobretudo depois da Primeira Guerra Mundial, as mobilizações voltadas à ocupação territorial da região Norte do Brasil se acentuaram. Nas décadas de 1930 e 1940, com ênfase no governo de Getúlio Vargas e nos acordos firmados com os Estados Unidos ante os esforços da guerra travada na Europa, frentes de colonização foram organizadas e seguiram rumo aos confins da Amazônia. Se por um lado a exploração das seringas entraria em seus ciclos econômicos, por outro o Norte passaria a ser parcialmente povoado, e o “espaço vazio” brasileiro, assim considerado pelo governo central, preenchido. Todavia, aquelas florestas tinham dono. Não estavam vazias. Nelas viviam povos indígenas ainda sem contato, que também fugiam. Entrecortado por rios com nascentes nos Andes e correntes às águas do Amazonas, a grande serpente, o Acre foi um dos estados que teve suas seringas e nações indígenas rasgadas por inúmeras frentes de colonização da borracha.

As varações e os igarapés entre os principais rios do estado foram as principais rotas de fuga dos povos indígenas. Os mais velhos chamam esse período de “tempo das correrias”. As mortes eram hediondas aos indígenas que resistissem à escravidão e às vontades dos senhores no poder. Caçadores de índios em nada perdiam aos seus antepassados que ilustraram em tintas de terror a história da invasão europeia à Ameríndia. No Rio Envira, onde, no Médio, viviam os huni kui e, no Alto, os madja, os grupos isolados, para fugir da violência das frentes de colonização, seguiram para mais perto da fronteira com o Peru e para além dela, numa área de circulação que lhes possibilitava resistir. Ao Envira, no entanto, as frentes de colonização não levaram apenas a própria sanha, mas também outros indígenas, que entre outros trabalhos atuavam como mateiros, além de intermediários ao contato agressivo com os povos livres. Afinal, se naquelas terras não viviam, ao menos circulavam. Os isolados, desde então, associam os ashaninka ao tempo dos massacres, contatos violentos, mortes e fugas. Com o fim dos ciclos da borracha, tais frentes de colonização desfizeram-se. Aos ashaninka e povos livres restou a herança do trauma coletivo, que segue pautando as relações entre essas sociedades. Nos últimos anos, com o retorno cada vez mais acentuado dos isolados a antigos territórios hoje ocupados pelos ashaninka, as excursões de livres às aldeias têm sido constantes. Levam terçados, roupas, redes, utensílios domésticos, tudo o que se pode colher nas roças e até mesmo crianças. Os ashaninka aprenderam a lidar com tais “delitos” sem violência, mas temem que em algum momento algo de mais grave aconteça – como antigamente. Caciques e demais lideranças tramam os fios tênues dessa história, elásticos como uma linha de borracha.

“No Rio Envira, os ashaninka sempre andaram, mas nascer aqui só os mais novos. Os mais velhos foram trazidos de outros lugares pelo kairu (branco), de aldeias do Peru. Acontece que estamos aqui e enterramos nossos mortos, fazemos nosso ritual. Nossos filhos nasceram aqui. Nossas aldeias cresceram. Ashaninka não quer brigar com bravo, mas quem aguenta ter suas coisas levadas? Se eles matarem um ashaninka, como faremos?”, indaga Txate Ashaninka, que não sabe ao certo a própria idade, mas aparenta ter por volta de 75 anos. Os olhos vão de um lado a outro em movimentos curtos, num rosto magro, queimado de sol. O cuzmã, espécie de batina e vestimenta tradicional do povo, cobre do pescoço aos pés a baixa estatura de seu corpo de pássaro. As mãos ossudas de Txate alternam entre segurar o próprio queixo, numa postura de reflexão, e apontar a mata enquanto a cabeça mergulha nas memórias encravadas nas árvores que ladeiam o Envira. “Naquela ali eu subia com as outras crianças. Alta, né? Os macacos vinham para perto”, aponta da janela do barco. “Era aldeia antiga nossa. Mais para trás tem kamarambi(ayahuasca) e onde era a roça do meu tio. Saímos daqui por causa dos bravos, mas nunca ninguém morreu.Teve flechado, mas sem mortes”, recorda Txate.

Tal como as árvores carregadas pelo Envira, cujas sementes germinam novas plantas em outras margens, as aldeias ashaninka desfeitas por conta da relação conflituosa com os povos livres reflorestaram o povo em outros pontos do rio, mais longe dos locais de aparição dos bravos. Na década de 1980, a aldeia Xinane foi um desses casos. Bem próxima da fronteira com o Peru, era constantemente alvo dos isolados. Os ashaninka que nela viviam a desativaram e se espalharam em outras aldeias ou fundaram novas. A elas os isolados também chegavam, e assim outras aldeias foram descendo o rio até quase o Médio. Com o aumento das tensões, e já sob uma nova política com relação aos povos em situação de isolamento voluntário, que previa o direito desses grupos de ter uma vida preservada da indesejada companhia das demais sociedades, a Funai construiu uma baseno local da antiga aldeia Xinane. O objetivo era identificar quem eram esses livres, demarcar o território e impedir conflitos entre eles e os ashaninka. Mais tarde, a estrutura passou a integrar a Frente de Proteção Etnoambiental do Xinane.

“Sou o passado falando”

O sertanista José Carlos Meirelles fundou a base e nela viveu durante 22 anos, entre 1988 e 2010. Criou filhos, que com o tempo passaram a trabalhar em frentes de proteção, manteve uma família e a ela agregou os peões que sobre os pisos de madeira da pequena vila também moravam. As histórias de Meirelles são despudoradas quanto a finais felizes e tampouco o transformam em herói defensor dos povos indígenas. “Sou o passado falando”, diz. Prefere a prosa ao discurso e não se priva de relatar, com seu sotaque de homem do interior, episódios de que não se orgulha, como quando se viu diante de isolados e, para defender parentes, precisou atirar.O indígena atingido acabou morto.2Ou quando foi atacado pelos isolados num igarapé próximo da base, enquanto pescava. Uma flecha atravessou seu rosto e ele precisou ser levado de helicóptero para um hospital de Rio Branco (AC). “Andávamos na mata, coisa hoje esquecida. Parece que hoje se monitora índio isolado e protege-se o território via notebook”, afirma. Não há indigenista atuante na temática dos isolados que não tenha ouvido as histórias de Meirelles, seja para criticá-lo ou para tê-lo como referência. Entender, porém, as problemáticas dos isolados do Envira e a política para os isolados da Funai passa necessariamente por um pouco de prosa com Meirelles.

Quando chegou ao Xinane, o sertanista trabalhava com a informação de que apenas um povo isolado vivia na região. “Localizamos. Depois descobrimos que havia outro nas cabeceiras do Riozinho. Localizamos. Depois descobrimos mais um em 2008, além dos mascho piro que andam pelo Envira sazonalmente e com mais frequência de 2006 para cá. E muito provavelmente um quinto grupo que anda nas cabeceiras do Rio Jordão, oriundo da reserva Murunaua, no Peru”, explica Meirelles. O tempo e a perseverança, conta o sertanista, fiaram a metodologia de trabalho. As informações inicialmente eram de outros indígenas do Envira ou de ribeirinhos, mateiros. Com a consolidação da Frente do Xinane aperfeiçoou-se a captação de informações, com longas estadias no meio da floresta e monitoramentos por sobrevoos. Descobriu-se então que alguns desses povos são caçadores e coletores, caso dos mascho, que circulam na fronteira do Brasil com o Peru, nômades, e outros agricultores, com possível associação ao tronco linguístico pano. “Quando chegamos, ocorriam muitos conflitos entre os ashaninka e huni kui e os isolados. Em 1989 sobrevoamos suas pequenas malocas, que hoje já devem ser o dobro”, lembra Meirelles. O sertanista observa que esses povos tiveram um aumento populacional nos últimos anos e isso também provoca mudanças no comportamento. No Brasil, existem 94 povos em isolamento voluntário.

Narcotraficantes atacam

Se por um lado desde os anos 1980 se registram conflitos entre isolados e os demais povos das margens do Envira, por outro, a partir de 2005, data Meirelles, as cabeceiras do Envira no Peru, até então desabitadas pelo homem branco, foram invadidas por madeireiras e depois pela coca. Os empreendimentos, no geral, são de mesmo dono e a madeira é usada para lavar a coca. O avanço das fronteiras do crime organizado internacional para cima do território gerou o episódio de junho de 2011, quando a Base do Xinane foi cercada por narcotraficantes e a equipe de servidores da Funai retirada do local por helicópteros da Polícia Federal. Meses antes, em março, o traficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista, condenado por tráfico de drogas no Brasil, Luxemburgo e Peru, foi detido na Base do Xinane depois de aparecer no local sozinho, portando uma mala com drogas e dólares e pedindo passagem. Levado para Rio Branco, foi extraditado para o Peru. Logo conseguiu liberdade e em junho regressou ao Xinane com capangas para se vingar de quem o havia detido e supostamente localizar a mochila recheada com drogas e dinheiro. Meses depois, em agosto, Fadista foi mais uma vez detido. Informados pelos ashaninka, a Polícia Federal e servidores da Funai chegaram ao Xinane para averiguar a circulação de supostos narcotraficantes. Durante a operação, a equipe localizou Fadista no meio da mata, nos arredores da Base do Xinane. O governo federal tem informações de que o narcotráfico, sediado do outro lado da fronteira, estuda a região com o intuito de utilizá-la.

A ação de madeireiras, portanto, estaria atrelada ao narcotráfico e a intensidade da ação delas na região está submetida ao avanço do negócio da droga no território compartilhado pelos ashaninka e pelos isolados. Sobrevoos realizados pela equipe do Xinane, do final dos anos 1980 até sua desativação em 2011 sob fogo cerrado dos traficantes, comprovam a ação de madeireiros. No entanto, tais investidas diminuíram depois da demarcação e da consequente proteção do território. No lado brasileiro registra-se a incidência de pequenos madeireiros, além da utilização da área dos isolados “como supermercado de carne, peixe e madeira por parte dos brancos. Os ashaninka e os madja também pescam nessas áreas para vender em Feijó”, diz Meirelles. A tendência é de que a Funai retome os trabalhos da Base do Xinane, mas como impedir que o território deixe de ser acossado pelo narcotráfico? No último dia 24 de março, a presidente do órgão indigenista, Maria Augusta Assirati, reuniu-se em Lima com representantes do Ministério da Cultura peruano para a formalização interinstitucional de protocolos para a proteção e promoção dos direitos dos povos isolados e de recente contato, que vivem nas regiões de fronteira entre os países. Aos indígenas, porém, fica a relação com os isolados.

“Sofreram muitas violências”

O cacique Ominá Madja tem uma pequena coleção de objetos dos isolados recolhidos na mata. Um de seus filhos aprendeu a tocar uma pequena flauta tingida de urucum e musgo. As janelas da casa do cacique miram a floresta chuvosa. Naquele mesmo dia pela manhã, um isolado foi avistado espreitando dependurado numa árvore. Por trás do manto de água nada se esconde. “Eles sofreram muitas violências. Como a gente também. Toda vida que índio morre por um pedacinho de terra, seja querendo ou defendendo ela. Só que os bravos não sabem tudo o que a gente sabe de vocês [brancos]“, analisa. Cacique da aldeia Igarapé do Anjo, homônimo de um dos igarapés onde os isolados mantêm aldeias, o indígena afirma que a relação dos madja com os livres não é pautada pela violência, mas que alimentam desconfianças mútuas. “Tentamos falar com eles, apesar de a língua ser diferente. Como a gente não ataca, eles chegam perto cada vez mais. Achamos cerâmica deles, panelas, flechas e flautas. Estão perto da gente”, diz Ominá. O cacique aponta para a ação de madeireiros na região, o que justificaria a aproximação cada vez mais constante desses povos às aldeias madja. Como no decorrer do processo histórico os madja e os ashaninka passaram a casar entre si, algumas aldeias são compartilhadas. “Aqui a gente é madjaninka”, riem. Se por um lado as fronteiras impostas pelos Estados nacionais não existem para as populações em isolamento voluntário, que circulam entre alguns países num grande território ancestral, aos ashaninka e aos madja a demarcação da Terra Indígena Kampa/Isolados é apenas uma formalidade importante. A comunidade Igarapé do Anjo está dentro dessa terra indígena, assim como a aldeia Terra Nova, onde o cacique Isanami Madja é casado com uma ashaninka.

Enquanto a esposa prepara caiçuma de mandioca, Isanami mostra a identidade puída. Levado junto com roupas e panelas, o documento foi encontrado tempos depois, num buraco, junto a outros objetos saqueados pelos isolados. Silenciosos e sem violência, os livres chegaram a levar o mosquiteiro de Isanami enquanto ele e a mulher dormiam. O episódio é lembrado com risos, mas nem sempre as histórias são irreverentes. Certa vez uma mulher madja estava na roça quando foi abordada por dois isolados. Primeiro tomaram o terçado das mãos da indígena e depois insistiram para que ela fosse embora com eles. Os homens da aldeia, tão logo ouviram os gritos da mulher, correram para a roça e lá chegando precisaram afugentar os livres. Tanto a Funai quanto os madja sabem que poucos quilômetros separam as aldeias das malocas dos isolados. Conforme Isanami, tal aproximação tem se intensificado nos últimos cinco anos, mas de uns três anos para cá deixou de ser sazonal e ocorre todas as semanas. “Já os vi muitas vezes, perto da aldeia e no meio da mata. São cabeludos e têm o corpo pintado de urucum e jenipapo. Já vi caçando macaco. Olham a gente e correm. Não ficam, não”, conta Isanami. Para o cacique, o mais difícil é ter roupas e utensílios sempre levados pelos isolados. “Olha, vou te dizer meu pensamento: não que tem de amansar ou fazer violência contra eles, madeireiro é quem faz assim, mas imagina ter suas roupas levadas toda hora por outras pessoas; ou a sua roça? Perder tudo. Isso deixa a gente triste”, conclui.

Proposta diplomática

Enquanto esteve na Base do Xinane, Meirelles realizou algumas oficinas com os ashaninka e os madja para tratar da relação com os isolados. “Creio que os isolados, pela nossa atitude de respeito, durante anos, com aquele território só para eles, consideram sua área de ocupação aquele pedaço. E é. Os ashaninka chegaram ao Envira na década de 1940, os isolados já estavam lá. Então quem invadiu a terra de quem?”, questiona o sertanista. A principal reclamação dos ashaninka é de que Meirelles não os deixava participar das ações da frente, e agora eles reivindicam mais protagonismo. Querem entender quem tem se movimentado pelo território além dos isolados. Pretendem desenvolver uma nova diplomacia. “Para a gente, tem peruano no meio e até outros indígenas do Peru juntos. Como vai dizer diferente? A gente quer ir ver mesmo, porque tem ashaninka no Peru que diz isso dos madeireiros e traficantes andando por aqui. Tanto os parentes bravos quanto nossas aldeias estão sem proteção”, conclui Txate Ashaninka. Na Base do Xinane, Txate e os ashaninka encontram razão para o argumento: pegadas de pés descalços e botas se misturam riscando o limo que cobre a madeira quebradiça das pontes que ligam as casas da estrutura. Antigo funcionário da base, Francisco das Chagas recorda que Meirelles temia a presença dos ashaninka na base por conta do histórico de conflitos entre eles e os isolados. “Seu Meirelles queria os bravos perto da base”, diz Chagas. O experiente mateiro lembra que muitos funcionários da frente foram alvo de flechadas, inclusive o próprio Meirelles, e que “só não morreram porque Deus foi camarada”. Os isolados costumavam andar perto das casas da base arremedando animais. E confirma: “Não sei bem a razão, mas os bravos estão cada vez mais em cima dos ashaninka. É de uns três anos pra cá, daqui acolá [gesticula com os braços] a gente vê eles atravessando o rio. Na aldeia Simpatia [última aldeia ashaninka antes da base] não faltam”. Chagas também não confirma a presença de peruanos não indígenas, mas salienta movimentações diferentes de isolados na região. O mateiro está há quase duas décadas no Envira, onde casou com uma ashaninka e hoje já cuida dos netos.

Crianças levadas pelos bravos

Outras histórias envolvendo os isolados dão conta de crianças levadas por eles. José Poshe e Bibiana Ashaninka nunca se esqueceram de uma festa ocorrida na aldeia há dezoito anos, quando a pequena Sawatxo foi carregada. Na época com 5 anos, a jovem dormia com os irmãos. Ao ouvir choros e gritos das crianças, Poshe correu para casa e, ao chegar, os mais velhos relataram que um bravo havia entrado na casa e levado Sawatxo. Foram muitos dias procurando pela menina na floresta. Em vão. “Deve estar grande. Já deve ter tido filhos. Ela deve ter se acostumado sem a gente. Todo mundo se acostuma a tudo”, diz Poshe olhando para o rio. Dezenas de outras tentativas foram relatadas pelos ashaninka. Do lado peruano, uma das histórias terminou em massacre. Entre os ashaninka do Envira, o ocorrido na comunidade Doce Glória, Departamento de Ucayali, Peru, em 2003, próximo à cabeceira do Rio Juruá, mesmo que não tenha tido a participação de indígenas do Brasil, é um fantasma que assombra as florestas do território que compartilham com os isolados. Enquanto preparava a comida para o marido e outros ashaninka que estavam pescando, uma mulher foi morta por um grupo de livres do povo mascho piro. Imediatamente os ashaninka arregimentaram um grupo e, na mata, deram o mesmo fim da mulher para cerca de trezentos isolados. O relato vem dos ashaninka do Envira, que têm parentes entre os ashaninka do Peru. “Então eu não sei se, caso um parente bravo mate um ashaninka, isso não pode acontecer [um episódio semelhante ao de Doce Glória] no Envira. Eu, como mais velho, digo aos mais novos para não fazerem nada. Para não irem à mata quando se sabe que eles estão lá, mas a gente não controla tudo”, afirma Txate Ashaninka.

O fantasma dessa história, porém, tem razão de assombrar um povo tomado pelo mágico. Os indígenas afirmam que a movimentação dos mascho foi provocada pela ação de madeireiros ilegais vindos do Departamento de Madre de Dios, chegando às cabeceiras do Rio Juruá, perpassando territórios dos isolados, na Zona Reservada do Alto Rio Purus, uma unidade de conservação na Amazônia peruana criada ainda no governo Alberto Fujimori (1990-2000). “Eu penso que se não for retomado um trabalho aqui no Envira pode acontecer algo como lá no Peru. Isso dá mais medo em mim que as flechas dos parentes bravos. Mas a gente não quer que a Funai volte como era antes. Ashaninka e madja precisam estar juntos. Precisamos ser parte”, diz Txate.

No último mês, lideranças ashaninka relataram a aparição de isolados na aldeia Simpatia. Na mesma comunidade, um indígena caiu em uma armadilha dos livres, no interior da floresta, mas não se feriu. No Igarapé do Anjo, aldeia do povo madja, a inserção dos livres acontece toda semana. A Base do Xinane, devorada pela fome úmida da floresta amazônica no paralelo 10°S, segue como símbolo do desafio da política indigenista aos isolados. Num paradoxo, como assegurar e garantir a liberdade desses povos? Enquanto isso, os livres exercem o direito de resistência e demonstram diplomaticamente que não irão aceitar as mortes de antigamente. As histórias circulam, e eles seguem o caminho de volta entrecortado por trilhas de outros povos. Por essas picadas, os livres também seguem, onde muitos deles tiveram a carne morta devorada pela terra. Um jardim de ossos na paisagem da memória. Num mundo brevemente grande, que já teve seu apocalipse de fogo para esses povos, tais encontros ocorrem entre as ruínas de raízes que insistem em tecer novos convívios e relações.

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AN ENVIRONMENT INJUSTICE IN THE GRANTS URANIUM DISTRICT, NEW MEXICO, USA

August 23rd, 2014 by EARTH PEOPLES

My name is Petuuche Gilbert. I am from Acoma Pueblo, an indigenous community here in New Mexico. I live in the Grants Uranium District of which I will talk about. I am a member of the Multicultural Alliance for a Safe Environmental Alliance which is an organization meant to express concerns about the health and welfare of people and environment within the uranium district.
This statement is being given on behalf of the Laguna Acoma Coalition for a Safe Environment which is a core group of the Multi-Cultural Alliance for a Safe Environment (MASE) and Indigenous World Association, a UN ECOSOC NGO.
MASE is a consortium of environmental justice communities that have been adversely impacted by historic uranium mining and milling in the Grants Uranium District. In the district HUMAN RIGHTS VIOLATIONS HAVE BEEN SANCTIONED AND ARE IMPLEMENTED BY THE STATE OF NEW MEXICO AND THE US FEDERAL GOVERNMENT RESULTING FROM URANIU MINING AND MILLING.
I will talk about environmental racism perpetrated by governments to satisfy the energy needs of the country. My view is that a rich country goes into under developed countries and into rural communities where useful natural resources are located and mine them while advocating prosperity via economic development. Such actions occur where minority populations are powerless to overcome the majority richer populace. As a result rural areas are devastated and attempts made to try and reclaim the land. At one time these actions meant to satisfy the energy needs of America while ruining land for generations of people was called national sacrifice areas. This, in my mind, is environmental racism. The government’s response to cleaning up historic uranium mining and milling waste and permitting new uranium mines violates Articles 1, 2 and 5 of the Convention on the Elimination of All Forms of Racial Discrimination’s (CERD).
The charges I will make address environmental injustice and environmental racism as a result of uranium mining activities. I will provide examples of environmental degradation being caused in this region. This type of discriminatory actions taken by mining companies with the permission of state and federal governments occur in rural and economically depressed communities. As an ensuing result land, water, and air, all becomes contaminated and people are sick and dying from cancer and numerous health problems.
This region has had 50 years of uranium mining which has left a legacy of numerous abandoned uranium mines and mills which has severely damaged the environment, contaminated land and water of all people living here. It is an environmental injustice being perpetrated upon rural people and almost not within their control. The area I will talk about is the Grants Uranium District which is sometimes referred to as the uranium belt. The Grants Uranium District covers an area of approximately 25 miles wide and 100 miles long inside Cibola County and in the northwestern region of New Mexico. There are numerous small communities within the mining district but I will highlight Milan and Grants because those places are at the heart of the Grants Uranium District. The City of Grants once called itself the “Uranium Capitol of the World.” Currently the City of Grants has a population of 9,253 and the Village of Milan has approximately 3,000 people living there. The rural county has lower per capita income than New Mexico and even more lower for the United States. Even though the unemployment rate in Cibola County was 6.9 percent in 2012 there is constant clamor for more jobs. Hence local leaders and politicians demand uranium mining which would bring in revenues and job. After the uranium era went bust the Grants and Milan opted for prison industry business and the two communities now host three prison complexes. The point here is uranium mining companies promise employment and revenues for business and local governments. When local people raise health and environmental problems caused from past mining and milling the companies state there are now better state and federal regulations which better protect land and people. Further, the legislators and mining companies promise to clean up old abandoned mine sites and state they will clean them up with new revenues.
The Grants Uranium District has seen land and people’s health harmed by several decades of uranium mining and milling. Even though there has been 50 years of uranium ore operations there have been no serious long-term health studies performed by the state and federal government. Only recently has the U.S. Environmental Protection Agency begun 5 Year Assessments of Health and Environmental Impacts of Uranium Mining and Milling for the Grants Uranium District. People’s health has been affected but there are no health studies to prove the numbers of cancer related deaths is the result of radioactive contamination of land and people. Health impacts are unknown and neglected when jobs and income from uranium industry are being promoted.
The mining district hosts 97 legacy uranium mines and there are 5 legacy uranium mill sites in the Grants mining district. This district includes what was once the largest open pit uranium mine in the world called the Jackpile Mine. The Nuclear Regulatory Commission continues to oversee reclamation efforts at two former mill sites – the Homestake Mill-Barrick Gold superfund site and the Rio Algom Mill site. At another mill site the Department of Energy oversees the old Anaconda Bluewater Mill Site.
I especially want to emphasize the environmental injustice being done upon 5 residential communities living near the Homestake/Barrick Gold mill reclamation project. This area is located approximately 5 miles north of the Village of Milan, New Mexico. Tailings, or ore waste, were discharged from the uranium recovery mill to two unlined tailings impoundments from 1958 to 1990. Milling operations ceased in 1990 and milling facilities were decommissioned. In this Bluewate Valley communities the Homestake mill tailings pile continues to leak radioactive contaminates into ground water and exposes community members to radon emissions. Landowners have seen the value of their land and homes plummet due to the nearby tailings pile. Some people are unable to sell their property and thus essentially unable to move.
These five residential neighborhoods live within a two mile radius of the Homestake Superfnd Site with the closest one being less than one half mile away. To publicly emphasize their contaminated situation the Bluewater Valley Downstream Alliance (BVDA) created a “death map” of victims who they feel died from radiation health related impacts. The U.S. Environmental Protection Agency (EPA) issued a Human Health Risk Assessment for the site and they determined Homestake site faced excess cancer risks 18 times higher than EPA’s “generally acceptable risk” range for radionuclides in outdoor air . In this agriculture community where people have farmed, ranched, and lived, in the area for decades before the mill site was closed now are told they can no longer use their well water. The state of New Mexico has issued a health advisory to prevent well water being used for domestic and agriculture purposes so water has to be piped in.
Uranium milling has left radioactive mill tailings waste which are dangerous to humans. The Homestake mill site consists of 24 million tons of ore tailings on an area of 180 acres which includes large and small tailings and evaporation ponds. Homestake Mining Company (HMC), now owned by Barrick Gold Corporation , is still working and trying to clean up their old milling operations radioactive waste pile. Groundwater contamination from HMC’s prior milling operation was first discovered in 1974. Since 1977 the state of New Mexico Environment Department and the U.S. Nuclear Regulatory Commission and the U.S. Environmental Protection Agency have attempted to reclaim the site. Very little progress has been made. Millions of dollars has been expended and millions of gallons of water has been used, wasted and polluted. After 35 years of cleanup work Homestake Barrick Gold has put into action another Corrective Action Plan and the New Mexico Environment Department is preparing to renewal an on-going discharge permit to continue cleanup. Failed and/or inadequate remediation of radioactive contamination thus continues under the guidance of state and federal governments.
Another form of ongoing environmental injustice is the absolute wasting of precious ground water. Underground water use in the Homestake mill reclamation project is immense. Within a 7 square mile there are 839 wells into four aquifers. Fresh water from the area’s major aquifer is being utilized. The San Andres Glorieta (SAGA) aquifer supplies drinking water for the Village of Milan, the City of Grants, and other nearby communities. The SAGA also provides recharge for nearby springs and for the Rio San Jose stream. These aquifers are the water resources underneath the residences surrounding the old mill site. Homestake uses water from these sources to abate ground water contamination and for injection into subsurface so as to create a hydraulic barrier and prevent movement of contaminated ground water downstream and away from the polluted site. The renewed discharge permit from NMED, DP 200, authorizes treatment operations to utilize 5,500 gallons per minute for cleanup operation. Too, after years of failed attempts to clean contaminated ground water and in NMED’s word “abatement” they are still searching for alternative treatment methods. NMED is authorizing HMC to continue ongoing pilot testing of alternate ground water treatment technology with applying biological methods.
Compounding this groundwater contamination problem for the heavily used aquifer, the San Andres Glorieta, is another legacy mill site 2 miles west of the old Homestake Mill site. It is the old Anaconda Bluewater uranium mill tailings disposal site which is now owned by the federal government under management by the Department of Energy (DOE). It was found by the DOE in 2012 that elevated uranium concentrations in the alluvial and San Andres Glorieta Aquifer had been detected in nearby monitoring wells. This has led to the belief that uranium contamination is leaving the disposal site and a contamination plume is moving toward the Homestake mill site. The surrounding communities of Bluewater Village, Milan and Grants all rely on the San Andres Glorieta Aquifer for domestic and municipal use.
In further state government action to allow for groundwater contamination at mill tailings sites Alternate Concentration Limits (ACLs) were established. This allows site groundwater standards to be set at higher concentration levels than the NRC and the EPA standards. These government permitted limits are established simply because contaminated ground water cannot be returned to original background conditions.
Environmental damage in the region has been immense. As another example, one such environmental disaster occurred thirty-five years ago, when an unlined earthen dam at the United Nuclear Corporation mill tailings facility near Churchrock, New Mexico, collapsed and released 1,100 tons of radioactive tailings and 94 million gallons of toxic wastewater to the Puerco River. This remains on the ground. All the legacy mine sites are sources for hazardous releases to the air, soil and water.
On top this is another situation of environmental injustice being permitted by the federal government upon a community within the Churchrock Uranium District is the granting of an aquifer exemption permit. The Uranium Resource Incorporated (URI) plans to develop an in situ leach (ISL) mining near the area known as Churchrock. ISL mining involves extracting uranium ore from underground ore bodies by pouring chemically treated water down pipes subsurface and often into aquifer zones. URI obtained an aquifer exemption permit from the U.S. Environmental Protection Agency in the location of their mine by asserting the aquifer was not being used by people. An exemption permit is granted by EPA if it is shown the water is not being used domestically. The surrounding people insist the underground water is being used and needed for future growth. In a rural area where there is no piped water and treatment plants well water is used for agriculture and domestic purposes. EPA is currently reviewing the old aquifer exemption permit and this has even gone into federal courts.
To further exacerbate environmental injustice upon people within the Grants Uranium District a new wave of applications for uranium development is presently underway in the area. The URI plans for in-situ uranium mining by Hydro Resources, Inc. are being finalized even as indigenous people are protesting it in U.S. and international courts. The prospect of new contamination to regional water supplies and the wholesale wasting of millions of gallons of water may prove to be disastrous for communities and the landscape.
New uranium mining is being proposed near San Mateo in the Grants Mining District where some of it is in the Cibola National Forest. Roca Honda, LLC, a Canadian company and its Japanese partner, are proposing to operate a conventional mining operation near San Mateo, New Mexico. A draft Environmental Impact Statement has been completed and a decision is forthcoming in 2015. The State of New Mexico and the US Forest Service have to permit the mine. The New Mexico State Land Office and the Governor of the state want the mine to open because of its supposed economic prosperity. The Multicultural Alliance for a Safe Environment (MASE) has studied the economic analysis reported by Roca Honda and has offered a opposing perspective. A major concern of a new mine and the proposed re-opening of an existing mine is the dewatering and wasting of ground water. Roca Honda plans to dewater at the rate of 8 million gallons per day. Another mining company just 3 miles east is the Rio Grande Resources Corporation, which is an old mine on standby status, has requested the State of New Mexico to go back into active status. It has requested a mine dewatering permit to discharge 17 million gallons of water per day. This amount of water withdrawn from underground at over 20 million gallons of water in one day is a grave environmental injustice to land and people where the average rainfall in this dry area of the southwest is only 10 to 12 inches per year. In spite of the enormous amount of harmful environmental and human consequences described in the Forest Service’s Draft Environmental Statement the governmental agency insists it must issue a permit to mine because of federal statutory law—the General Mining Act of 1872. This is environmental racism and another discriminatory action meant to satisfy the mining industry.
What has been done to address uranium legacy issues?
Yes. There have been years of work done by Homestake Mining Company, the New Mexico Environment Department, and the US Environmental Protection Agency. Several decades of work has passed in attempting to address legacy mines and mills. Millions of dollars has been expended. Yet, the environmental contamination remains. The soil, water, and air, all are still contaminated daily. People are sick and dying. Environmentalists, like the Multicultural Alliance for a Safe Environment, have demanded for abandoned uranium mines clean up. US EPA has a second Five Year Plan in place but no money for implementation. There is a renewed Corrective Action Plan in place. As stated the NMED is renewing its discharge permit and they insist progress is being made. Meanwhile after all this with three decades of reclamation efforts and out of frustration and desperation the Bluewater Valley Downstream residents now insist. Move the tailings pile or move us. Thus, this environmental injustice remains and continues.
What must be done?
1. New Mexico and the federal government have to permanently clean up abandoned uranium mines and old mill sites and remediate soil, air, and water to standards consistent with the CERD’s guaranteed right to health. Article 5 (e)(iv).
2. New Mexico and the federal government have to do health risks and health studies in the Grants Uranium District. These governments must adhere to CERD’S right to public health to perform comprehensive studies on public health impacts resulting from uranium mining and milling, according to Article 5 (e)(iv).
3. Educate the public at large about the problems associated with uranium mining and milling.
4. The Homestake/Barrick Gold Mining Company, the State and Federal Governments all need to spend even more money at the Homestake Mill site and prevent further contamination, or, move the pile.
5. The U.S. Congress must demand a General Accounting Office (GAO) study to investigate the amount of federal money spent at the Homestake Mill reclamation site and demand to know if cleanup is doable or unachievable.
6. The State of New Mexico and local units of governments must be educated on the United States obligation under the International Convention on the Elimination of All Forms of Racial Discrimination (ICERD).

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Look for Seneca Hawk Elder Edna Gordon among the stars

July 19th, 2014 by EARTH PEOPLES

Look for Seneca Hawk Elder Edna Gordon among the stars

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VIDEO: Nuestro Saber

July 17th, 2014 by EARTH PEOPLES
Cortometraje realizado por jóvenes indígenas quechuas de Ayacucho.

La preparación de la chicha de jora, se convierte en una actividad de encuentro para las mujeres de la comunidad. Una abuela comparte sus conocimientos, reflexionando sobre el valor de transmitir los saberes y prácticas culturales a las futuras generaciones.

Documental

Responsable: Teodosia Gutiérrez Velapatiño
País/Región: Perú/ Ayacucho
Comunidad: Chanen
Idioma Original: Quechua
Género: Documental
Duración: 00:04:30
Año de Producción: 2013

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Worlds in movement, worlds of movement…

July 17th, 2014 by EARTH PEOPLES

Worlds in movement, worlds of movement…

According to Wikipedia, “The Assembly of First Nations (AFN) emerged from and replaced the Canadian National Indian Brotherhood and is an assembly of First Nations represented by their chiefs. The aims of the organization are to protect and advance the aboriginal and treaty rights and interests of First Nations in Canada, including health, education, culture and language.”  Importantly, the AFN has in recent history played the role of representing the interests of First Nations in crucial negotiations with the Canadian government.

Today however, and within my limited understanding of a complex situation, the legitimacy of the AFN is under severe challenge, and especially from within and among First Nations peoples in Canada, and among many things, this challenge resulted in the resignation of the till-recent national chief of the Assembly when he realised that he did not have the people with him in a policy position he had taken.

This has left the Assembly leaderless and rudderless at a time when so much is happening in terms of the rights of First Nations peoples in the country and region, and especially through their own struggles on the ground. (See earlier posts : June 26 – ‘Supreme Court decision acknowledges Aboriginal title over Tsilhqot’in First Nation land’, June 27 – ‘Supreme Court of Canada expands land-title rights in unanimous ruling; Ruling over land in B.C. has ripple effects across Canada’, July 11 – ‘First Nations on Turtle Island take action on Canada’s top court’s land-title ruling’; and July 14 – ‘Land ruling’s message to First Nations : You have no place in Confederation’.)

This article is on movements among First Nations peoples at this other, ‘higher’ level, as traditional chiefs attempt to address the emerging situation.

See the original webpage for a video on What’s behind the schism among First Nations chiefs?

Watch video

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ARTA ABIERTA DE YASUNIDOS A PETROAMAZONAS EP. INFORME: DERRAME DE CUYABENO

July 16th, 2014 by EARTH PEOPLES

Alarmados y afligidos por la información que diversas organizaciones y pobladores amazónicos compartieran con YASunidos, respecto  a la magnitud e impactos del derrame de crudo el pasado 3 de julio en la Provincia de Sucumbíos, una comisión del colectivo YASunidos fue delegada para organizar un recorrido a lo largo del río Aguarico, conjuntamente con dirigentes cofán para constatar la extensión que cobró el evento, así como receptar testimonios de primera mano por parte de las poblaciones afectadas.

Durante el recorrido efectuado a lo largo del Río Aguarico, desde Dureno hasta la comunidad cofán de Zábalo – ubicada en el corazón de la Reserva de Producción Faunística Cuyabeno – pudimos constatar los efectos del derrame aún visibles en las riveras del Aguarico, en diversos tramos.

La recepción de varios testimonios de pobladores pertenecientes a las nacionalidades Cofán, Kichwa y Siona,  permitieron a la comisión dimensionar las reales proporciones del derrame, las mismas que rebasan largamente los cálculos admitidos oficialmente. Al respecto, los principales hallazgos de la comisión especial, en base a testimonios de pobladores y verificación in situ,  fueron los siguientes:

  • Constatamos que el derrame se extendió a lo largo del río Aguarico, al menos hasta la comunidad de Zábalo en territorio Cofán, situada en los en los límites de la zona intangible de la Reserva Faunística de Cuyabeno.
  • Los impactos más visibles persisten en las proximidades rivereñas de la comunidad cofán de Dureno, donde se puede observar la presencia de manchones de crudo que están siendo recolectados y “limpiados” por cuadrillas de obreros, quienes recogen el crudo de manera manual  y con equipos de protección bastante básicos para este tipo de labor. (Vid Fotos Recuadro 1 y 2)
  • Se constatan grandes manchones de crudo a lo largo del Río Aguarico en al menos tres puntos distintos. Casi dos semanas después, aún es posible testimoniar visualmente efectos del derrame en la vegetación y playas cerca de la comunidad Cofán Dureno. Adjuntamos fotos con sus respectivas localizaciones georreferenciadas. (Vid recuadro 3, 4 y lista de puntos)
  • Los testimonios de los pobladores registran que este puede ser el derrame más grande ocurrido en los últimos veinte años. Pobladores cofanes que han experimentado anteriores derrames – desde la época de Texaco -  señalan que el derrame fácilmente podría haber superado los 10.000 barriles de crudo.
  • De hecho, de manera extraoficial, un trabajador de Petroamazonas al ser consultado de forma reservada sobre la proporción del derrame, ha admitido que el derrame se aproximaría a los 15.700 barriles de crudo.
  • Una serie de testimonios receptados en Secoya Remolinos, Zábalo,  Cofán Dureno, Playas de Cuyabeno  coinciden en afirmar que la respuesta de Petroamazonas EP frente al desastre ha sido deficiente, mientras la presencia del Ministerio del Ambiente ha sido prácticamente nula. En lo relativo a Petroamazonas EP, la empresa no ha facilitado información sobre los impactos que supone el evento para la salud de las poblaciones y las precauciones que deben tomar las comunidades frente a ello. La presencia de Petroamazonas EP se ha limitado a la entrega de “kits alimentarios” en conjunto con un comité de crisis que han formado los gobiernos locales. Tales kits no responden a la necesidad más urgente de contar con agua segura para las poblaciones que han sufrido por el evento.
  • En lo relativo al Ministerio del Ambiente, testimonios de autoridades locales parroquiales coinciden al afirmar que el MAE no ha desplazado personal a la zona para constatar la magnitud del desastre y evaluar las medidas necesarias para contenerlo, considerando que el derrame afectó directamente la Reserva de Producción Faunística Cuyabeno.
  • Testimonios de pobladores cofán y kichwa de Zábalo, Dureno y Playas de Cuyabeno, coinciden en que los equipos de relaciones comunitarias de Petroamazonas EP han posicionado la oferta de trabajo temporal (en las cuadrillas de limpieza del crudo) como única forma de  compensación social a las comunidades afectadas. El dimensionar esta actividad como la respuesta oficial de Petroamazonas EP frente al desastre NO exime a la compañía de asumir públicamente su responsabilidad por el derrame y encuadrar sus acciones frente a las comunidades en el marco de un proceso integral de reparación socio-ambiental.
  • No se ha informado adecuadamente sobre el alcance del proceso de reparación ni se ha socializado en qué consistirá el mismo y qué tipo de materiales químicos y orgánicos se emplearán para ello y qué efectos colaterales tendría sobre la salud de la población y sobre la fauna y la flora de la región.
  • La principal preocupación de las comunidades cofán que habitan la rivera del Aguarico estriba actualmente en el grave impacto que supone el derrame para aquellos centros rivereños que dependían del río Aguarico para la pesca, abastecimiento de agua y usos culturales de la comunidad (baño en el río, actividades de cacería cerca de la rivera en zonas permitidas, etc.). En otras comunidades, el abastecimiento de fuentes alternas de agua segura sigue siendo precario y no ha habido pronunciamiento de Petroamazonas EP sobre cómo asumirá su responsabilidad garantizando al menos una forma segura de abastecimiento de agua no contaminada a mediano y largo plazo, puesto que se constató que Petroamazonas EP aconsejó a la comunidad Cofán Dureno no utilizar el río durante los próximos 6 meses a 2 años.
  • Para los cofán, el Río Aguarico es conocido como el río de los Aí (Aí-Nae), es decir, el “río de las personas” o el “río de la gente”[1]. Su valor cultural para el pueblo Cofán  es incalculable. El reconocimiento de sus territorios ancestrales está marcado por la impronta del río y su relación con los diversos asentamientos cofán; es el  río el referente que cuenta la historia de la génesis y expansión de los cofán. La explotación petrolera de Texaco afectó gravemente esta relación sagrada con el río, al tiempo que supuso un sistemático proceso de expropiación de su valor simbólico y práctico como fuente de vida para el pueblo Cofán. No es admisible que la operación de Petroamazonas EP contribuya a profundizar nuevamente este proceso de separación, exclusión y despojo de las comunidades, en momentos en que los cofán intentan reconstruir sus relaciones con el territorio y los elementos que en él dan vida.

Frente a estas evidencias, la comisión especial de YASunidos formula –  a nombre de la sociedad civil -,  amparados en nuestros derechos constitucionales que garantizan la participación de los ciudadanos en asuntos de interés público, las siguientes preguntas a las institución responsable de actuar frente a los serios impactos que ha supuesto el evento del 3 de julio.

A la empresa Petroamazonas EP:

a) Emplazamos a Petroamazonas  EP a que reconozca las reales proporciones del derrame e informe públicamente sobre la cantidad de barriles derramados al tiempo de establecer responsabilidades y sanciones. Que presente informes sobre la duración del evento y el tiempo que tomó la respuesta frente al mismo.

b) Informe a los pobladores locales y la ciudadanía en general ¿En qué consistirá el proceso de remediación ambiental del Río Aguarico y sus zonas de incidencia? ¿Qué procedimientos y materiales se emplearán para la limpieza del Aguarico? ¿Qué precauciones deben tomar las comunidades Cofán, Kichwa, Siona, y Secoyas frente al derrame y las tareas de limpieza?

c) ¿Qué política de responsabilidad y compensación social ha decidido asumir la empresa frente a la devastación que han generado sus operaciones? ¿Se asumirá públicamente una disculpa a las ecuatorianas y los ecuatorianos afectados por el desastre? ¿Cuáles serán los objetivos y metas de las políticas de compensación social frente al evento?

d) ¿Es esta la tecnología de punta que se utilizará para la operación del Yasuní ITT?

Al Ministerio de Ambiente:

a) Que informe a la ciudadanía y a los afectados, si existe una indagación en curso que establezca responsabilidades y sanciones para la empresa petrolera, y en caso de haberla que indique el itinerario, ruta y personal que inspeccionó el derrame en la zona de Aguarico.

b) ¿Cómo se explica que la autoridad ambiental del país no se haya pronunciado públicamente sobre uno de los mayores derrames de los últimos veinte años que involucra a una de las reservas faunísticas bajo su protección dentro del SNAP?

c) ¿Qué tipo de sanciones se contemplan para estos casos y cuando agilitará el Ministerio el procedimiento administrativo para hacerlo a fin de garantizar el principio de reparación y no repetición por parte de Petroamazonas EP?

A la Defensoría del Pueblo

a) ¿Cabe que, en un tema tan sensible, que vulnera visiblemente los derechos colectivos de al menos cuatro nacionalidades indígenas de la Amazonía y atenta contra los derechos de la naturaleza, así como los derechos individuales consagrados en la Constitución, la Defensoría del Pueblo no haya actuado de oficio para establecer una indagación de las circunstancias?

b) Creemos que más allá de la duda razonable, eventos como este reafirman nuestros temores del desastre ambiental que podría significar la ampliación de la frontera petrolera hacia el Yasuní, y comprueban que la “tecnología de punta” de Petroamazonas EP dista de operar en base a sus propios estándares de calidad ambiental y responsabilidad social. Al tiempo, refuerzan nuestros argumentos y nuestra convicción en favor de un país que avance claramente hacia la era post-petrolera como un deber inapelable para con sus ciudadanos y entorno, así como una muestra concreta y no demagógica de sensibilidad con las víctimas de 40 años de operaciones sucias en la noramazonía petrolera.

Lo que pasó en Cuyabeno nunca más….
Lo que pasó en Cuyabeno nunca en el Yasuní.

Por la Comisión Especial de Yasunidos.

Vanessa Barham Dalmau CI 1709810319.
Pedro Bermeo CI  1714278262
Martín Carbonell CI 1711876845
Leonardo Cerda CI 150070695
Carla Espín CI 1726654914
David Suárez  CI 1712217130
Ana Rosa Valdez CI 0918816539

[1] El  pueblo denominado Cofán  utiliza la palabra Aí para referirse a sí mismos como personas. Esta construcción lingüística representa el reconocimiento de sí mismos a la vez como personas y como pueblos.

Para ver las fotografías del informe click aquí


¿Qué puedo hacer yo?

  • Difunde la importancia de conservar la naturaleza y dejar el crudo bajo tierra.
  • Tienes un Blog, una página web, etc… coloca un link a nuestra página, o síguenos en FacebookTwitter.
  • Asiste a las zapateadas que se dan a lo largo del país.
  • ¡Descarga AHORA!!! “AGE OF YASUNÍ” en tu smartphone… y ayuda a los YASunidos a continuar con su defensa del Yasuní.

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Mapuches piden a Evo Morales llevar mensaje de Pueblos Indígenas a conferencia días 22 y 23 septiembre a la ONU

June 28th, 2014 by EARTH PEOPLES

Una delegación del pueblo  Mapuche de Chile pidió el miércoles al presidente boliviano Evo Morales que lleve un mensaje de los pueblos indígenas del mundo a la Conferencia Mundial sobre Pueblos Indígenas que se realizará el 22 y 23 de septiembre próximo en Nueva York, sede de las Naciones Unidas.

La delegación chilena, encabezada por el encargado de Relaciones Internacionales de la Organización del Pueblo Mapuche Consejo de Todas las Tierras, Aucan Huilcaman, se reunió con ese propósito con Morales en Palacio de Gobierno.

“Queremos que el presidente Evo Morales lleve un mensaje de todos los pueblos indígenas del mundo, en vista de que Naciones Unidas nos ha aplicado su reglamento que es restringido que no permite la participación de los pueblos indígenas para un diálogo directo, eficaz y en pie de igualdad”, explicó Aucan.

Anticipó también que el mensaje busca abrir un diálogo con la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur), que es un órgano preferentemente de Estado en el que están incluidos los pueblos indígenas.

“Entre los gobiernos que conforman UNASUR Hay mayoría de pueblos indígenas por tanto necesitamos un diálogo entre Estado y pueblo indígena en el marco de Unasur”, remarcó.

Explicó que el Presidente boliviano les informó que su Gobierno preparó algunas fórmulas para responder ante esa situación, lo que -a su juicio- es un acto que realza al Ejecutivo boliviano.

Por otra parte, afirmó que los pueblos indígenas de Chile y América Latina ven con preocupación el diferendo marítimo entre Bolivia y Chile, y aseguró que los mapuches apoyan la búsqueda de una solución amistosa.

“Queremos llamar a ambos gobiernos para hacer los esfuerzos a fin de que se arribe a una solución amistosa. Nosotros somos interesados en que en la región de Sud América no haya más tensiones, no controversias entre países y pueblos hermanos y nos parece que el camino apropiado es la solución amistosa”, fundamentó.

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Canada: Supreme Court expands land-title rights in unanimous ruling

June 28th, 2014 by EARTH PEOPLES

Historic ruling upholds land rights

Supreme Court decision recognizes the existence of aboriginal title, opening a new era in native relations with government
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Pentagon preparing for mass civil breakdown over climate and energy shocks

June 17th, 2014 by EARTH PEOPLES

For those who still work hard to convince the public about the hope of incremental U.S. climate policy improvements, please see that there is no sincerity in any of their climate policy rhetoric.  The elites who are really in control know full well the true calamity ahead, yet dole out only empty words masquerading as glass-half-full climate policies, that they know even if these were real measures, would not have been enough to save anything.  All they really care about is how to suppress protests, uprisings and insurgencies with military might, in the not so distant future, to preserve their power, while they try to control the planet’s last oil and gas reserves and other “strategic” resources to continue with their profits.  These people are insane.

Here are two well researched article by Dr. Nafeez Ahmed in the Guardian, UK.
Pentagon preparing for mass civil breakdown
Social science is being militarised to develop ‘operational tools’ to target peaceful activists and protest movements
http://www.theguardian.com/environment/earth-insight/2014/jun/12/pentagon-mass-civil-breakdown
Pentagon bracing for public dissent over climate and energy shocks
NSA Prism is motivated in part by fears that environmentally-linked disasters could spur anti-government activism
http://www.theguardian.com/environment/earth-insight/2013/jun/14/climate-change-energy-shocks-nsa-prism
The second article above links to an important piece of news from 1 year ago, about the U.S. military’s domestic role:
U.S. Military ‘Power Grab’ Goes Into Effect
Pentagon Unilaterally Grants Itself Authority Over ‘Civil Disturbances’
by Jed Morey on May 14, 2013
http://www.longislandpress.com/2013/05/14/u-s-military-power-grab-goes-into-effect/
Some highlights from the last article:
Bruce Afran, a civil liberties attorney and constitutional law professor …: “It’s no different than the emergency powers clause in the Weimar constitution [of the German Reich]. It’s a grant of emergency power to the military to rule over parts of the country at their own discretion.”
……
The most substantial change is the notion of “civil disturbance” as one of the few “domestic emergencies” that would allow for the deployment of military assets on American soil.
……
As far as what might qualify as a civil disturbance, Afran notes, “In the Sixties all of the Vietnam protests would meet this description. We saw Kent State. This would legalize Kent State (massacre of student protesters of 1970).”

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